SUMMIT 2026 prepara setor automotivo de Mato Grosso para nova era de regras, gestão e competitividade


Em um mercado no qual mudanças regulatórias, tributárias, tecnológicas e comportamentais avançam ao mesmo tempo, antecipar deixou de ser apenas uma vantagem competitiva para se tornar uma necessidade. Foi com essa proposta que o SUMMIT 2026 reuniu, nesta quinta-feira (13), em Cuiabá, empresários, especialistas e profissionais ligados ao setor automotivo de Mato Grosso.

Promovido em um momento considerado decisivo para as revendas de veículos, o encontro colocou no centro das discussões questões que deverão interferir diretamente na gestão e na operação das empresas. Entre os destaques estiveram Renave na Prática: Implantação, Adequação e Conformidade; Reforma Tributária: Impactos e Estratégias para o Setor Automotivo; Gestão Tributária: Segurança Fiscal e Competitividade Empresarial; NR-1 e Saúde Mental: Gestão de Riscos Psicossociais nas Empresas; O Jogo Invisível dos Resultados: Domine seu Comportamento e Multiplique seus Lucros; Crédito e Finanças: Soluções para Fortalecer Resultados e Impulsionar o Crescimento; além de Networking Estratégico, destinado à aproximação entre empresários, especialistas e parceiros do segmento.

Mais do que apresentar novas regras, o SUMMIT buscou mostrar aos empresários que as transformações exigirão mudanças na cultura administrativa, nos processos internos, na gestão de pessoas e na própria maneira de conduzir os negócios.

Para a presidente da Associação dos Revendedores de Veículos do Estado de Mato Grosso (Agenciauto-MT), Rosi Prates, o encontro nasceu justamente da necessidade de preparar os empresários antes que as novas exigências atinjam plenamente a rotina das empresas. “Diante de todo esse contexto de mudanças e do cenário diferenciado que o setor automotivo está vivendo, vimos a necessidade de organizar este evento e levar a informação necessária para minimizar os impactos. São mudanças significativas, e o lojista precisa estar preparado”, afirmou em entrevista ao MT Econômico.

Rosi Prates, presidente da Associação dos Revendedores de Veículos do Estado de Mato Grosso (Agenciauto-MT) – Foto: MT Econômico

Segundo Rosi, a demanda do setor foi tamanha que a realização do encontro chegou a ser antecipada. “O evento estava previsto para o final do mês, mas antecipamos porque a demanda mostrou essa necessidade. Precisamos orientar o setor diante de tudo o que está impactando e gerando preocupação entre os lojistas, principalmente na organização das empresas”, explicou.

Embora a Agenciauto-MT promova diferentes ações e debates ao longo do ano, esta foi a primeira vez que o conjunto de transformações foi tratado de maneira tão abrangente no evento. “Durante todo o ano fomentamos o setor e abordamos diferentes temas. Mas, nesse formato, é a primeira vez que tratamos essas mudanças de maneira mais ampla e esclarecedora. O lojista precisa compreender que estamos vivendo um período de transformação e que isso certamente terá reflexos no dia a dia das empresas”, destacou Rose. Para a presidente, estar preparado significa ir além da adequação documental ou tributária.

“A empresa precisa preparar sua equipe para dar suporte a essas transformações e evitar que as mudanças provoquem prejuízos ou comprometam a operação. E esse preparo não envolve somente a parte organizacional e tributária; envolve também o operacional”, acrescentou.

SUMMIT aberto ao setor

O encontro também ampliou o alcance para além do quadro de associados da entidade. De acordo com Rosi Prates, embora os associados tenham benefícios específicos, a necessidade de informação justificou a abertura para profissionais de todo o segmento.

“O evento é para o setor. É claro que temos diferenciais para os associados, mas abrimos a participação porque existe uma necessidade coletiva. O lojista precisa entender não apenas as mudanças que o Renave vai trazer, mas todo o contexto que envolve a parte comportamental, emocional e administrativa. Temos o compromisso de levar informação antes que as mudanças aconteçam de forma mais intensa”, disse.

A troca de experiências entre os participantes também foi apontada como uma das principais funções do SUMMIT.

“Criamos um espaço para que todos possam trocar informações e compartilhar experiências dentro desse novo contexto. O objetivo é que o empresário identifique o que precisa melhorar no administrativo, no operacional e também em sua rede de relacionamentos”, completou.

Renave deve mudar rotina das revendas

Entre os temas que mais despertaram atenção esteve o Registro Nacional de Veículos em Estoque (Renave), sistema eletrônico destinado ao registro das movimentações de entrada e saída de veículos novos e usados nos estoques dos estabelecimentos comerciais. O Renave integra o Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam).

O consultor automotivo e vice-presidente da Agenciauto-MT, Ricardo Laub, destacou que o processo de profissionalização e regulamentação do setor vem sendo construído há anos, mas ganha agora uma nova dimensão.

“O setor vem se profissionalizando e se regulamentando há alguns anos. O Renave representa uma mudança importante porque passa a organizar formalmente os estoques e os processos das empresas. Com as novas regras, as lojas precisarão se adequar rapidamente para atuar dentro das normas”, afirmou à reportagem.

Para Laub, além do cumprimento das exigências legais, o novo ambiente regulatório pode contribuir para elevar o nível de segurança das operações.

“Isso vai trazer mais formalidade, segurança jurídica e capacidade para atender melhor o cliente. Também ajuda a resguardar as empresas que trabalham corretamente e a tornar o mercado mais profissional. É uma grande mudança para o setor”, avaliou.

Ricardo Laub, consultor automotivo e vice-presidente da Agenciauto-MT – Foto: MT Econômico

O vice-presidente ressaltou que o empresário não deve observar cada transformação isoladamente. Renave, Reforma Tributária e novos procedimentos administrativos e jurídicos tendem, segundo ele, a se cruzar dentro da rotina empresarial.

“Vamos falar um pouco de tudo. Renave, Reforma Tributária, processos administrativos, jurídicos e operacionais. Essas mudanças vão atingir as formalidades e as práticas do cotidiano do lojista. De fato, ele terá que se adaptar a uma nova forma de trabalhar, e compreender isso desde agora é muito importante”, enfatizou em entrevista ao MT Econômico.

Nova resolução amplia alcance do Renave

Diretor de Operações da W7 Tecnologia, conhecida como Renave Zero, Warlei José Pinheiro explicou durante em entrevista ao MT Econômico que o Renave funciona como um subsistema informatizado do Renavam e tem como finalidade registrar eletronicamente a movimentação dos estoques dos estabelecimentos que comercializam veículos.

“O Renave é um subsistema do Renavam e tem por finalidade fazer o registro do estoque dos estabelecimentos que comercializam veículos. É um banco de dados voltado ao registro da entrada e da saída dos veículos do estoque das empresas”, explicou.

Warlei José Pinheiro, diretor de Operações da W7 Tecnologia, conhecida como Renave Zero – Foto: MT Econômico

A Resolução Contran nº 1.026, de 26 de junho de 2026, atualizou a regulamentação do Renave. Entre as novidades previstas pela norma está o tratamento dos veículos comercializados em regime de consignação, modalidade comum entre as revendas.

“Uma das principais novidades é a possibilidade de trabalhar dentro do Renave com veículos consignados. Essa é uma prática muito recorrente nos estabelecimentos e, no modelo anterior, havia uma barreira para esse tipo de operação. Com a nova resolução, essa realidade passa a ser contemplada”, afirmou Warlei.

A resolução também estabelece relação entre o registro do veículo no estoque do Renave e determinadas operações de financiamento. A norma prevê impedimento de apontamento quando o beneficiário for estabelecimento do setor e o veículo objeto do financiamento não estiver registrado em seu estoque no Renave. Para Warlei, esse aspecto exige atenção especial dos empresários, uma vez que o financiamento representa parcela relevante das vendas de veículos.

“Se o veículo não estiver dentro do Renave, determinadas operações de financiamento poderão ser afetadas. Por isso, o empresário não pode ficar parado esperando para ver o que vai acontecer. Ele precisa ser proativo e buscar a adequação para que sua operação continue funcionando sem grandes atritos”, alertou.

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