O deputado estadual Gilberto Cattani (PL) reconheceu publicamente que a polêmica aliança firmada entre o Partido Liberal e o MDB para a disputa das eleições de 2026 abriu sérias fissuras nas bases conservadoras. O parlamentar bolsonarista não escondeu o incômodo do grupo ideológico e afirmou que a aproximação pragmática com os emedebistas deflagrou uma onda de insatisfação interna que reverbera diretamente na militância.
Na avaliação de Cattani, a costura política capitaneada pelas cúpulas partidárias trouxe prejuízos práticos e afetou o desempenho das principais candidaturas do bloco. Ele pontuou que a composição “dobradinha” acabou por desgastar tanto a campanha do senador e candidato ao Governo do Estado, Wellington Fagundes (PL), quanto o projeto eleitoral da deputada estadual Janaina Riva (MDB) ao Senado. A junção de siglas, com históricos e espectros ideológicos distintos, provocou ruídos de comunicação difíceis de serem digeridos pela ala mais radical da direita.
Apesar de diagnosticar o impacto negativo e a resistência dos correligionários, o deputado minimizou os boatos de que o PL estaria enfrentando um processo de desorganização estrutural ou descontrole na Baixada Cuiabana e no interior.
Para o parlamentar, o cenário de atrito é uma consequência natural de escolhas estratégicas ousadas adotadas pela direção. “Acho que é uma questão de decisões. Você toma decisões, elas têm consequência. O partido fez algumas coisas que não agradaram algumas pessoas, como a união com o MDB. Muitos estão descontentes com isso”, disparou.
Buscando conter o avanço da crise e evitar que o desabafo alimentasse o palanque de adversários como o governador Otaviano Pivetta (Republicanos), Cattani pregou o pragmatismo e cobrou que a legenda supere as divergências paroquiais para focar na reta final da pré-campanha. O líder conservador defendeu que, embora os reflexos iniciais tenham sido amargos, o fato já está consumado juridicamente nas atas partidárias e o foco total deve ser direcionado para a consolidação do projeto eleitoral nas ruas e no início do horário de rádio e TV.
A manifestação de Cattani joga ainda mais luz sobre o isolamento enfrentado por Wellington Fagundes em atos recentes, evidenciando que o discurso de unificação partidária defendido pelo presidente estadual Ananias Filho ainda carece de amparo real entre os deputados de mandato da sigla. A cobrança pública do parlamentar serve como um termômetro do tamanho do desafio que a coordenação de campanha terá para unificar os palanques bolsonaristas e estancar a perda de votos em direção a outras candidaturas de direita no Estado.
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