Impacto do ajuste fiscal no PIB de 2027: O que aponta o estudo do Banco Daycoval


O Brasil iniciará o ano de 2027 sob a sombra de um severo desafio fiscal, mas sem a ameaça iminente de uma recessão econômica. Esta é a principal conclusão de um estudo inédito elaborado pelo Departamento de Pesquisa Econômica do Banco Daycoval. O relatório mapeou três cenários distintos para as contas públicas e seus respectivos impactos na atividade do país, apontando que o PIB deverá registrar avanço em todos eles, variando entre 1,05% e 1,8%.

A desaceleração, no entanto, será perceptível. O forte impulso fiscal que adicionou 1,4 ponto percentual ao Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 perderá força. Para que o governo consiga cumprir o limite inferior do arcabouço fiscal, será obrigatório realizar um ajuste mínimo de R$ 38 bilhões.

Os economistas do banco alertam que, embora o nó fiscal por si só não jogue o país em uma retração no próximo ano, outros fatores — como uma eventual perda de fôlego no mercado de trabalho — ainda mantêm o sinal de alerta aceso.

OS TRÊS CENÁRIOS PARA O PIB – O Daycoval calculou o peso do estímulo estatal sobre a economia a partir de três caminhos que o novo governo poderá seguir:

  1. Cenário “Piloto Automático”: Sem nenhuma medida de contenção adicional, o impulso fiscal ficaria em 0,75 ponto percentual, empurrando o PIB para uma alta de 1,6% a 1,8%.
  2. Cenário Base: O governo executa o ajuste mínimo necessário para atingir o piso do arcabouço. A contribuição estatal cai para 0,42 ponto percentual, gerando um PIB entre 1,4% e 1,5%.
  3. Cenário Ideal: Marcado por reformas profundas e corte de gastos severo. O impulso cai para 0,28 ponto percentual e o PIB flutuaria entre 1,05% e 1,35%.

Oficialmente, a meta estipulada para 2027 prevê um superávit primário de 0,50% do PIB. As projeções do mercado, contudo, apontam para um déficit de R$ 67 bilhões (-0,46% do PIB). Descontadas as despesas que ficam fora da regra fiscal, o governo precisará encontrar exatamente R$ 38 bilhões para evitar o descumprimento da lei.

ENGESSAMENTO DO ORÇAMENTO E AS MEDIDAS PALIATIVAS – O grande obstáculo para fechar essa conta é o nível de engessamento do orçamento federal. Atualmente, 92% das despesas primárias da União são obrigatórias, fruto de uma escalada de gastos iniciada em 2008. Isso deixa os investimentos livres (discricionários) espremidos em apenas 8%, dificultando cortes profundos sem travar a máquina pública.

Para o cenário base, o Banco Daycoval estima que o cumprimento das regras fiscais dependerá de uma combinação de três frentes emergenciais:

  • Congelamento total dos salários dos servidores públicos;
  • Arrecadação de R$ 22 bilhões em receitas não recorrentes (atividades extraordinárias);
  • Economia de R$ 16 bilhões por meio de um “pente-fino” rigoroso em programas sociais.

Essas ações, no entanto, são vistas apenas como remédios paliativos. Elas dão fôlego para 2027, mas não alteram a trajetória perigosa da dívida pública bruta, que soma R$ 10,8 trilhões (81,9% do PIB) e corre o risco de romper a barreira dos 100% até o ano de 2030 se reformas estruturais não forem aprovadas.

PREVIDÊNCIA SOCIAL: O MOTOR INESPERADO DO PIB – O dado mais surpreendente apontado pelo estudo é o papel das despesas previdenciárias na sustentação da atividade econômica. O envelhecimento natural da população somado à política de reajuste real do salário-mínimo fará com que os gastos do INSS cresçam de forma automática.

Como o dinheiro pago a aposentados e pensionistas retorna rapidamente para o comércio na forma de consumo, esse avanço previdenciário injetará, sozinho, 0,5 ponto percentual de crescimento no PIB de 2027. Os programas de transferência de renda possuem um “multiplicador econômico” elevado, estimado em 1,25. Na prática, cada R$ 1,00 gasto nessas áreas gera R$ 1,25 de movimentação financeira no país.

É esse fluxo constante de capital na base da sociedade que impedirá uma retração econômica, mesmo que o governo aplique congelamentos em outros setores, como o funcionalismo público.

O CUSTO INVISÍVEL: JUROS ALTOS – Embora o PIB permaneça no azul, o relatório joga luz sobre o efeito colateral desse modelo econômico dependente de estímulos fiscais contínuos. A percepção do mercado de que as contas públicas estão deterioradas força o Banco Central a manter a taxa básica de juros (Selic) em patamares elevados para controlar a inflação.

Os juros altos asfixiam o crédito privado, encarecem os investimentos produtivos e elevam o custo de rolagem da própria dívida pública. Portanto, o verdadeiro teste de sustentabilidade da economia brasileira ocorrerá no período pós-2027, momento em que o corte profundo de privilégios e benefícios fiscais — que hoje drenam R$ 500 bilhões anuais dos cofres públicos — se tornará obrigatório. (NeoFeed)

Entre no GRUPO DO WHATSAPP e acompanhe notícias relevantes sobre Economia, Política e Desenvolvimento



Source link

Please select listing to show.
Please select listing to show.
Please select listing to show.
Please select listing to show.
Please select listing to show.