Opinião: Meus 50 anos em Mato Grosso


Neste dia 25 de agosto de 2026, completo 50 anos morando em Mato Grosso. É uma longa história de vida dentro da história do Estado e do próprio Brasil. Tive a rara felicidade de transitar por esta história e de ver todas as transformações pelas quais passamos.

Vim de Brasília num antigo Corcel 1969 de 4 portas. Lá trabalhava no Jornal de Brasília há três anos. O convite veio em função do fato de que o governo de Mato Grosso precisava reforçar a comunicação governamental. Estava em pleno processo de finalização a divisão que dividiria Mato Grosso em 1977 e criaria o estado de Mato Grosso do Sul.

As relações políticas, econômicas e sociais entre as regiões Norte, com sede em Cuiabá, e Sul, como sede em Campo Grande, eram críticas. Por conta disso o governador José Garcia Neto optou por reforçar a comunicação oficial. Vim dentro desse espírito, aos 32 anos. Preciso falar um pouco sobre o Mato Grosso de então.

Mato Grosso tinha 94 municípios. 38 no Norte e 56 no Sul. Poucas eram as cidades importantes nas duas regiões. A própria população indicava isso. O total nas duas regiões era de 1 milhão e 200 mil. A região Norte tinha 580 mil habitantes nos seus 38 municípios. Cuiabá tinha 100 mil habitantes. O ambiente em Cuiabá era de grande pessimismo sobre a divisão. Por isso o Norte era contra. O Sul militava pela divisão desde o fim da guerra do Paraguai, em 1870. Mas foi a partir da Revolução Constitucionalista de 1932 que a militância ficou inevitável.

Pensava-se em Cuiabá que o Mato Grosso resultante ficaria pobre e todas as coisas perderam o valor por conta do empobrecimento. Mas, afinal, não empobreceu e nem as coisas perderam o valor. Ao contrário. Passados 39 anos Mato Grosso é uma potência. Maior do que Mato Grosso do Sul que começou a definir a sua economia nos últimos anos com a chegada das indústrias de celulose.

Recordo essas coisas daquele tempo em que cheguei a Cuiabá e permaneci, só pra constar o tamanho da história que transcorreu nesses 50 anos. Mato Grosso tem hoje 142 municípios,  3 milhões e 900 mil habitantes. Cuiabá saiu dos 100 mil para 600 mil habitantes. Os cenários do futuro são totalmente animadores.

Nesses 50 anos o perfil sociológico da população mudou completamente e já estamos na segunda e terceira gerações dos migrantes décadas de 1970. Sem contar a miscigenação geral que resultou num povo hoje muito diferente de 1976.

Meus quatro filhos foram criados e educados em Cuiabá. Tiago, o mais novo, é cuiabano. Meus cabelos branquearam vivendo aqui guardando as estórias das longas viagens por regiões sem estrada, sem energia elétrica e de cidades muito longes umas das outras. Pioneirismo puro!

Estou organizando os meus arquivos dessa história pra postar numa plataforma permanente. Foi uma epopeia muito pesada e saudável. Há! Meus três bisnetos: Mateus, Vitória e Maria Luisa são cuiabanos. Miguel e Mariana, os pais, também são cuiabanos. O meu coração e o da Carmem tornaram-se cuiabanos de plena adoção!

Por Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

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