O avanço da colheita e do beneficiamento da safra de algodão em Mato Grosso tem ampliado a disponibilidade de coprodutos no mercado e mantido os preços sob pressão de curto prazo. Conforme dados divulgados pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), embora o caroço e o óleo de algodão tenham registrado valorizações pontuais na última semana, o balanço mensal e a comparação com o ciclo passado permanecem no terreno negativo.
Na última análise semanal, a tonelada do caroço de algodão registrou uma leve alta de 0,42%, cotada a R$ 799,09, enquanto o óleo de algodão subiu 1,60%, atingindo R$ 5.259,09 por tonelada. O fôlego momentâneo, no entanto, não anulou o recuo mensal. No acumulado do mês, o preço do caroço encolheu 6,70% e o do óleo cedeu 1,66%, refletindo a velocidade com que a oferta supera a capacidade de absorção imediata dos compradores.
A retração nos preços fica ainda mais evidente no comparativo anual com o mesmo período da safra anterior. Os indicadores do Imea apontam que o caroço acumula uma desvalorização de 11,73%, ao passo que o óleo de algodão opera com queda de 5,61%. O mercado do óleo só não enfrentou uma depreciação mais severa devido à demanda firme de setores estratégicos, como as indústrias de alimentos e as usinas de biodiesel, que atuam como suporte para frear as perdas.
A tendência para as próximas semanas aponta para a manutenção desse teto nos preços, visto que o ritmo de processamento nas algodoeiras segue acelerado. Analistas do setor avaliam que a velocidade de recuperação ou novos ajustes nas cotações dependerão exclusivamente do reaquecimento da demanda consumidora, que precisará absorver o excedente gerado pelo pico da colheita no estado.
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