O prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira (PL), sofreu um grave revés político imposto pela cúpula do Partido Liberal em Mato Grosso. Como punição imediata por ter quebrado a disciplina partidária, o gestor foi destituído da presidência do diretório municipal da legenda. A decisão foi confirmada pelo presidente estadual do partido, Ananias Filho, que também “convidou” o chefe do Executivo rondonopolitano a deixar as fileiras da sigla por meio de uma desfiliação voluntária.
A crise estourou após Cláudio Ferreira desafiar abertamente as orientações das direções estadual e nacional do PL. Em ato público, o prefeito declarou apoio à reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), preterindo o senador Wellington Fagundes, que é o nome oficial do partido de Jair Bolsonaro na disputa pelo Governo do Estado. Ao assumir o risco, Ferreira admitiu nos bastidores que sabia que haveria consequências severas por sua insubordinação.
A remoção de Cláudio Ferreira do comando do PL de Rondonópolis foi cirúrgica e já consta nos registros oficiais da Justiça Eleitoral. O presidente Ananias Filho sinalizou tolerância zero com o comportamento do prefeito e indicou que a sua permanência na legenda tornou-se insustentável.
“Está previsto, primeiramente, dar uma oportunidade. Eu falei com o Odílio Balbinotti, mandei o Odílio Balbinotti conversar com ele, dialogar com ele, ver se ele quer sair do partido”, afirmou o dirigente estadual, revelando que o empresário e suplente ao Senado foi escalado como mediador da crise. Ananias foi categórico sobre o destino do prefeito: “Se ele não aceitar desfiliar, no partido ele não fica”.
SEGURANÇA JURÍDICA NO MANDATO – Apesar do forte bombardeio interno e da iminente expulsão caso não peça para sair, Cláudio Ferreira não corre o risco de perder o comando da prefeitura. A legislação eleitoral brasileira protege os ocupantes de cargos majoritários (prefeitos, governadores, senadores e presidente da República) de cassações por infidelidade partidária, permitindo que migrem de legenda sem o risco de perda de mandato.
“Prefeito não tem nada a ver com fidelidade partidária de mandatos. Prefeito, governador, senador e presidente da República podem mudar de partido a qualquer hora. Essa é a lei [28]”, esclareceu Ananias Filho, separando a punição administrativa e partidária do direito legal do gestor de seguir governando o município.
CRISE ANUNCIADA NOS BASTIDORES – O racha provocado pelo prefeito de Rondonópolis não pegou o partido de surpresa. No início do mês, a presidência estadual já havia endurecido o discurso em comunicados internos, alertando que prefeitos e vereadores que atuassem contra os projetos majoritários do PL em Mato Grosso seriam convidados a se retirar.
A ala governista do PL vinha monitorando de perto o avanço do governador Otaviano Pivetta sobre as bases de Wellington Fagundes, principalmente na região Sul do estado. A debandada de Cláudio Ferreira consolida o isolamento da campanha ao governo do PL no interior e expõe a fragilidade das alianças partidárias no cenário eleitoral mato-grossense.
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