Mesmo com nova mistura e safra recorde, preço do etanol sobe R$ 0,20 nas bombas de MT


O bolso dos motoristas de Mato Grosso sofreu impacto neste fechamento de agosto, com o preço médio do etanol saltando de R$ 3,79 para R$ 3,99 por litro nas bombas dos postos de combustíveis de Cuiabá e Várzea Grande, conforme já noticiado pelo MT Econômico. O acréscimo de R$ 0,20 faz com que o condutor gaste R$ 10,00 a mais a cada abastecimento de um tanque médio de 50 litros.

Essa majoração de preços ocorre justamente no pico da colheita da safra de milho – que acaba de ser finalizada no estado – e no período de moagem da cana-de-açúcar, momento em que a oferta do produto deveria estar abundante e os preços, deprimidos.

Essa disparada do biocombustível também joga luz sobre os efeitos da mais recente medida do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Desde o dia 1º de agosto, entrou em vigor a obrigatoriedade da mistura E32, que elevou de 30% para 32% o teor de etanol anidro misturado à gasolina comum em todo o país. Originalmente, a intenção do governo federal foi desenhada para ser um mecanismo de proteção para tentar segurar os preços da gasolina e reduzir a necessidade de importação de derivados de petróleo em meio às instabilidades do mercado internacional.

Contudo, na prática do mercado regional, a medida acabou gerando o efeito inverso. Segundo dados do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sindipetróleo), a elevação da mistura para 32% gerou um aumento imediato na demanda estrutural pelo produto nas distribuidoras. Com o mercado interno obrigado a absorver uma quantidade consideravelmente maior de anidro, as usinas encontraram espaço para elevar os preços de aquisição. Esse encarecimento na base da cadeia foi repassado em cascata pelas distribuidoras até chegar às bombas de combustíveis.

PREÇOS ACIMA DO RECORDE – O que mais intriga os consumidores e analistas locais é o fato de o reajuste ignorar os números históricos do agronegócio mato-grossense. Mato Grosso vive um ciclo de produção recorde, sendo projetado para atingir a marca de 8,4 bilhões de litros de etanol na safra atual, impulsionado principalmente pelas indústrias de etanol de milho, que já respondem por quase 60% do biocombustível nacional.

Apesar de as usinas estarem operando a pleno vapor, consultorias de mercado apontam que os custos logísticos, o encarecimento dos insumos de produção e a forte valorização do açúcar no mercado internacional têm feito com que as indústrias sucroenergéticas pressionem as tabelas para cima para garantir margens operacionais mais largas.

O Sindipetróleo reforça que os postos de combustíveis operam apenas como a ponta final desse processo, repassando os novos valores de custo determinados pelas companhias distribuidoras. Diante deste cenário de alta generalizada, a pesquisa minuciosa entre os estabelecimentos segue como a única alternativa para o motorista atenuar o prejuízo.

Ainda conforme o sindicato patronal que representa os postos do estado, cada revenda tem uma realidade, uma planilha de custos e por isso, tem liberdade para precificar seus produtos. Outro fator que influencia, e muito, no valor final, é a concorrência. Alguns estabelecimentos vendem o litro com margens apertadas para não perder vendas, diante de uma promoção do posto ‘vizinho’.

Em nova ronda semanal do MT Econômico ontem (28), os valores do etanol têm variado de R$ 3,99, R$ 3,89, R$ 3,87 e até R$ 3,84.

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