Tempo bom faz Mato Grosso antecipar fim da colheita para o início de setembro


O predomínio de tempo seco e a ausência de chuvas nas principais regiões produtoras de Mato Grosso deram ritmo recorde à safra de algodão 2025/26. De acordo com os dados mais recentes do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o estado já atingiu 88,66% da área total colhida. Com o forte desempenho das máquinas em campo, a projeção oficial foi antecipada: os produtores devem concluir os trabalhos nas lavouras já na primeira quinzena de setembro.

O desempenho atual reflete um salto de 19,14 pontos percentuais (p.p) na comparação com a semana anterior, consolidando uma das colheitas mais rápidas dos últimos anos. O ritmo de trabalho registrado neste fechamento de agosto coloca Mato Grosso 12 pontos acima do índice observado no mesmo período da safra passada e supera em 3,03 pontos a média histórica dos últimos cinco anos. A estiagem prolongada e o sol constante têm sido os principais aliados dos cotonicultores para acelerar o processo.

O avanço acelerado foi totalmente ritmado pelas condições climáticas favoráveis, que mantiveram o algodão em condições ideais para o recolhimento e o enfardamento. No entanto, o setor técnico faz um alerta importante para os produtores que ainda possuem áreas pendentes. Os modelos meteorológicos indicam a possibilidade de chuvas pontuais e isoladas sobre o território mato-grossense nos próximos dias. Caso essas precipitações se confirmem, o Imea adverte que a umidade pode afetar diretamente a qualidade da fibra e travar o andamento final das colhedoras.

RETRAÇÃO DE ÁREA E CUSTOS DE PRODUÇÃO – Embora a colheita caminhe para um desfecho rápido e eficiente, a safra 2025/26 é marcada por uma postura de maior cautela por parte dos investidores. A área total cultivada com algodão no estado sofreu uma redução de aproximadamente 11% em comparação com a temporada anterior, totalizando 1,38 milhão de hectares.

De acordo com a análise técnica do Imea, o recuo no plantio foi motivado diretamente pela escalada nos custos de produção e pelo cenário de preços menos atrativos no mercado internacional de commodities. Diante de margens de lucro mais apertadas, os cotonicultores mato-grossenses optaram por reduzir o risco financeiro e enxugar o tamanho das lavouras. Até o momento, a estimativa de produtividade está fixada em 6,51 milhões de toneladas, mas os números finais de balanço devem passar por revisão e ajustes nos próximos dias.

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