Com a proximidade da liberação do plantio da soja em Mato Grosso, o planejamento logístico e o manejo preventivo dentro das propriedades entram em fase crítica. A semente é o insumo de maior impacto no estabelecimento inicial da lavoura. Agrônomos e especialistas do setor alertam que o vigor do material biológico entregue na fazenda dita o teto produtivo da safra, tornando os cuidados no recebimento e no armazenamento decisivos para o bolso do agricultor.
O primeiro procedimento obrigatório ocorre logo no desembarque da carga. O produtor deve realizar um checklist rigoroso, confrontando os dados das embalagens e os números dos lotes com a nota fiscal de compra. É necessário vistoriar minuciosamente a integridade física de sacarias e bags. “Quando o produtor é consciente que a semente é a base da produtividade, e que um material de alto vigor entrega mais resultado do que uma genética cara mal cuidada, ele passa a redobrar a atenção”, explica Fernando Ferri, coordenador de Defesa Agrícola da Aprosoja MT.
Qualquer indício de violação de lacres, rasgos ou sementes espalhadas na carroceria do caminhão deve ser imediatamente documentado com fotos e vídeos. A recomendação técnica em casos de irregularidades é notificar formalmente a empresa fornecedora de forma digital ou oficial antes do uso do insumo. “Caso note problemas, o agricultor deve isolar o material e acionar amostradores habilitados para colher uma contraprova oficial e resguardar seus direitos”, orienta Ferri.
Passada a etapa de conferência, o controle de ambiente passa a ser o fator central de preservação. O maior inimigo da semente no barracão é o choque térmico. O calor excessivo durante o dia seguido pelo resfriamento noturno degrada rapidamente as taxas de germinação e pureza física. O ideal é priorizar estruturas climatizadas ou barracões com excelente ventilação natural. Deve-se evitar o abafamento dos bags com lonas plásticas inadequadas e manter o ambiente totalmente protegido contra umidade, goteiras e o ataque de roedores ou pragas.
Para blindar a operação antes da entrada das máquinas no campo, o produtor pode recorrer a auditorias de qualidade em sua própria fazenda, como as oferecidas pelo programa Semente Forte. A amostragem oficial leva duas coletas laboratoriais por propriedade para checar os índices de vigor contratados. “A semente é uma soma de fatores e operações que vão desde o cultivo lá no campo de produção até o dia de colocar no solo”, reforça Gilson Antunes de Melo, vice-coordenador técnico da entidade. Em anos de previsões climáticas atípicas, o rigor técnico na triagem do insumo é a principal ferramenta de proteção contra quebras de safra.
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