O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), subiu ontem (8), o tom contra a bancada de Mato Grosso no Congresso Federal. Em entrevista coletiva, o gestor cravou que os senadores Carlos Fávaro (PSD) e Jayme Campos (União Brasil) não conseguirão se reeleger devido à postura adotada em relação aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Para Abilio, a falta de medidas contra supostas ilegalidades na Corte configura “omissão” ou “cumplicidade”.
“Se o Senado fizesse a correção, ou pelo menos abrisse um procedimento de impeachment, eu tenho certeza que o ministro recuaria da sua conduta inadequada. Porém, com o Senado omisso ou cúmplice, acaba não contribuindo para isso e o resultado é que muitos desses senadores que estão sentados lá são cúmplices desse processo ou cúmplices dessa falha da nossa democracia. Vão sair neste ano, Fávaro e Jayme não voltam mais”, disparou o prefeito. No cenário para o pleito, contudo, as situações diferem: apenas Fávaro busca de fato a reeleição, enquanto Jayme Campos optou por não disputar cargos políticos.
Apesar dos ataques à atuação de alguns magistrados, Abilio fez questão de blindar a instituição da Suprema Corte, destacando a relevância do equilíbrio entre os Poderes. O prefeito argumentou que as críticas devem ser direcionadas a atuações individuais e não ao órgão como um todo.
“O Supremo Tribunal Federal é uma instituição muito séria e importante para a democracia do nosso país (…). Mas nós não podemos transformar o Supremo Tribunal Federal num instrumento deficitário por conta de atuações individuais de alguns ministros”, ponderou Brunini. Ele encerrou reforçando o papel do voto como ferramenta de fiscalização: “A Constituição diz que todo o poder emana do povo através dos seus representantes, então são os representantes que as pessoas vão escolher que irão corrigir as falhas”.
INFEDELIDADE DE JANAÍNA – O clima de tensão na coligação majoritária que une o Partido Liberal (PL) e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) ganhou um novo capítulo. Abilio criticou publicamente a deputada estadual e candidata ao Senado Janaina Riva (MDB) após circular um vídeo nas redes sociais onde ela declara apoio a adversários políticos do arco bolsonarista.
Na gravação, realizada em um evento com materiais de campanha do deputado federal Emanuelzinho (PSD) — vice-líder do governo Lula na Câmara —, Janaina defendeu que quer caminhar rumo ao Senado ao lado de Carlos Fávaro (PSD), atual ministro da Agricultura. A postura gerou revolta na ala mais conservadora do PL, já que a coligação deveria, em tese, canalizar os votos para o candidato da chapa puro-sangue direitista, José Medeiros (PL).
“O tempo é o senhor da razão. A fidelidade partidária que tanto pregam estava onde? Defendendo o Fávaro e o Emanuelzinho, vice-líder do Lula? Aí não, Janaina”, disparou Abilio, acusando candidatos do MDB de se fantasiarem de direita apenas para atrair o eleitorado mato-grossense. “O MDB sempre foi do lado da esquerda mesmo, ficou tentando enganar a população no processo eleitoral. É descarar com a nossa cara, é sacanagem”, completou o prefeito.
A crise interna expõe um racha profundo entre as lideranças municipais e a Executiva Nacional do PL. A entrada do MDB na aliança foi articulada na reta final das convenções por Janaina Riva e seu sogro, o senador Wellington Fagundes (PL), diretamente com a cúpula nacional do partido, atropelando os planos de prefeitos conservadores do estado como a prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti, e o prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira.
Diante do episódio, Abilio Brunini cobrou uma postura rígida da Comissão de Ética do PL, lembrando que a sigla já abriu procedimentos que podem resultar em expulsão contra outros correligionários por dissidência política.
Para agravar o cenário de guerra interna, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a divisão igualitária do tempo de propaganda obrigatória de TV entre José Medeiros e Janaina Riva, sob o entendimento legal de que o tempo pertence à coligação partidária, e não aos candidatos isoladamente. A decisão acirrou ainda mais os ânimos de Medeiros, que vinha travando uma batalha jurídica e se recusa a dividir palanque com a emedebista.
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