A candidata a vice-governadora de Mato Grosso, Gisela Simona (União Progressista), defendeu a aceleração da industrialização como estratégia para preparar o Estado para os efeitos da Reforma Tributária. Em entrevista ao MT Econômico, ela afirmou que o Plano MT 33 deve orientar uma reformulação econômica capaz de reduzir a dependência da produção primária e ampliar a geração de empregos e renda.
Segundo Gisela, o agronegócio continuará sendo a principal vocação econômica de Mato Grosso, mas o Estado precisa avançar na transformação da própria matéria-prima. Para ela, a industrialização é necessária tanto para agregar valor à produção quanto para criar condições de crescimento em um cenário de mudanças no sistema tributário.
“Já está em andamento em Mato Grosso o Plano MT 33, porque nós temos a vigência de uma reforma tributária que, no ano de 2033, de fato se incorpora em todo o Estado”, afirmou.
A Reforma Tributária prevê uma transição para um modelo de tributação sobre o consumo, com mudanças na distribuição da arrecadação entre estados e municípios. O tema preocupa unidades federativas com forte produção e exportação de commodities, como Mato Grosso, especialmente diante da possibilidade de maior concentração da receita nos locais onde os bens e serviços são consumidos.
Estado precisa deixar de apenas produzir
Na avaliação da candidata, Mato Grosso precisa mudar sua posição na cadeia econômica. “Até aqui nós vivemos da produção e agora nós precisamos inverter o jogo e ser também um Estado consumidor”, declarou.
Gisela apontou a industrialização da matéria-prima como uma das principais frentes do Plano MT 33. A proposta, conforme apresentada por ela, é estimular a instalação e a expansão de empresas capazes de processar produtos do agronegócio dentro do próprio Estado.
Com isso, a candidata afirma que Mato Grosso poderá ampliar a circulação de recursos internamente e reduzir a dependência da exportação de produtos com menor valor agregado. “A primeira vertente é essa de que nós possamos industrializar a nossa matéria-prima”, disse.
Emprego e renda para ampliar o consumo
Além de transformar a produção, Gisela destacou que o Estado precisa criar oportunidades para atrair e fixar moradores. Na avaliação dela, a geração de empregos e renda é essencial para fortalecer o mercado consumidor local e preparar Mato Grosso para a nova lógica tributária.
“Nós precisamos gerar emprego, gerar renda, para atrair pessoas para o nosso Estado, para que o consumo seja efetivo aqui na nossa região”, afirmou.
A candidata também relacionou a industrialização à melhoria da qualidade de vida. Segundo ela, o desenvolvimento econômico precisa ser acompanhado de investimentos e políticas públicas que tornem Mato Grosso um lugar mais atrativo para viver.
“Nós precisamos fazer com que Mato Grosso se torne cada vez um Estado melhor para se viver e também uma referência no Brasil para as pessoas morarem”, declarou.
Pivetta é citado como exemplo
Durante a entrevista, Gisela citou a trajetória de Otaviano Pivetta como prefeito de Lucas do Rio Verde para defender a capacidade de planejamento e transformação econômica da chapa.
Segundo ela, Pivetta participou do processo de desenvolvimento do município, que teria deixado de ser uma pequena vila com pouca infraestrutura para se tornar uma cidade reconhecida por indicadores de eficiência e qualidade de vida.
“Pivetta foi prefeito de Lucas do Rio Verde e conseguiu fazer com que aquela cidade, que era uma vila sem um quilômetro de asfalto, se transformasse em uma das cidades referências no Brasil em eficiência e qualidade de vida”, afirmou.
Para Gisela, a experiência pode ser aplicada em uma escala maior no Estado. “É isso que nós queremos fazer com Mato Grosso”, disse.
Plano deve preparar Estado para a transição
A candidata afirmou que o Plano MT 33 será o eixo para organizar a estratégia econômica de Mato Grosso diante da Reforma Tributária. A intenção, segundo ela, é evitar que o Estado sofra perdas durante a mudança no sistema de arrecadação.
“Vai ser a partir desse plano que nós vamos fazer toda essa abordagem econômica para virar a página e não termos o prejuízo que é possível que Mato Grosso tenha nessa virada de chave”, declarou.
Ao defender a proposta, Gisela reforçou que a industrialização não deve ser vista como alternativa ao agronegócio, mas como uma forma de ampliar os efeitos positivos da atividade no território mato-grossense. A transformação da produção, a geração de empregos e o fortalecimento do consumo interno aparecem, na fala da candidata, como medidas centrais para preservar a competitividade do Estado até 2033.
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Veja o vídeo com trecho da entrevista