Um choque de números e mais um abismo dentro do ninho político do PL em Mato Grosso fechou esta sexta-feira, 11 de setembro. A prefeitura de Várzea Grande, liderada por Flávia Moretti (PL), contestou publicamente, via nota à imprensa, os dados divulgados pelo senador Wellington Fagundes (PL) – candidato ao governo do Estado pelo menos partido -, que havia anunciado o repasse de quase R$ 300 milhões em aportes federais para a cidade através de emendas de bancada e verbas ministeriais.
O município contrapôs as alegações pontuando que o dinheiro que de fato entrou nos cofres públicos soma R$ 62,4 milhões, considerando emendas parlamentares e transferências obrigatórias ou voluntárias da União e do Estado. A assessoria da prefeita Flávia Moretti enfatizou que “falar em quase R$ 300 milhões exige apresentar quanto efetivamente foi repassado”, alertando que muitos dos convênios citados pelo senador tratam-se de recursos empenhados ou de obras sob a gestão direta do governo estadual, que não transitam pelas contas da prefeitura.
Wellington havia detalhado investimentos no Novo PAC e em infraestrutura viária urbana para justificar o montante. O município, por sua vez, reforçou a necessidade de responsabilidade fiscal e transparência ao divulgar dados financeiros, convidando a população a auditar as receitas e despesas por meio das ferramentas de controle do Portal da Transparência da prefeitura.
RACHA HISTÓRICO – O embate técnico sobre os R$ 300 milhões de Várzea Grande é apenas a ponta de um iceberg de uma crise político-partidária que ameaça implodir a unidade do Partido Liberal em Mato Grosso. Ao classificar a fala do senador Wellington Fagundes como “inverdade”, a prefeita Flávia Moretti não assinou apenas uma nota de esclarecimento fiscal: “ela fincou uma estaca em uma disputa interna de poder que se arrasta há meses”, apontam analistas de bastidores.
Flávia Moretti hoje caminha na corda bamba dentro da própria legenda. A gestora responde formalmente a um procedimento na comissão de ética do PL após contrariar frontalmente as diretrizes da executiva estadual. Enquanto o partido tenta viabilizar a candidatura de Wellington Fagundes ao Palácio Paiaguás. Moretti declarou apoio público e irrestrito à reeleição do atual governador, Otaviano Pivetta (Republicanos).
Esse movimento foi visto pela cúpula do PL como uma “traição partidária”, abrindo espaço para pedidos de punição e até expulsão de quadros que não rezam pela cartilha oficial da sigla.
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