O cenário político de Mato Grosso ganhou novos contornos com a sinalização do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em defesa das candidaturas de Mauro Mendes (União) e José Medeiros (PL), para as vagas em disputa no Senado Federal. O recado foi transmitido por meio de uma ligação telefônica do senador Rogério Marinho (PL-RN) ao ex-governador Mauro Mendes, após uma visita ao ex-presidente em sua residência. O movimento intensifica o debate sobre os desdobramentos locais e o direcionamento de votos dentro dos grupos de direita no estado.
De acordo com as informações de bastidores, Bolsonaro manifestou o desejo de ver Mendes e Medeiros eleitos, chegando a solicitar que seu filho, o senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro, reforce esse posicionamento publicamente.
Já sobre a disputa ao Governo de Mato Grosso, Bolsonaro lembrou que já honrou o compromisso com o senador Wellington Fagundes (PL) em 2022, quando lhe apoiou na reeleição ao Congresso Nacional. O ex-presidente criticou o fato de Fagundes estar tentando se eleger governador no meio de seu mandato no Senado, apontando que ele próprio, ao longo de sua trajetória pública, sempre concluiu seus mandatos legislativos.
O arranjo sugerido, contudo, esbarra nas realidades partidárias e nas manifestações públicas que evidenciam divergências dentro do próprio campo conservador do estado.
Na estrutura formal da coligação liderada por Mauro Mendes, existe o direcionamento de um segundo voto para a candidatura de Margareth Buzzetti (PP). Essa divisão de atenções contrasta com o pedido de voto casado sugerido pela ala nacional.
Por outro lado, o alinhamento com José Medeiros vinha sendo tratado de forma diferenciada pela base mais ligada ao núcleo familiar do ex-presidente. Em publicações e registros nas redes sociais, o apoio da família Bolsonaro vinha sendo amplamente declarado como exclusivo a Medeiros, o que gerou ruídos com o posterior gesto de aproximação em relação ao nome de Mendes.
Esses posicionamentos cruzados expõem o que analistas políticos apontam como reflexos de divisões internas na direita mato-grossense. Enquanto o comitê nacional busca viabilizar alianças estratégicas e garantir bancadas fortes no Congresso, as lideranças regionais e as redes de apoio locais se dividem na fidelidade aos acordos de coligação e nas predileções ideológicas, tornando a disputa pelas duas vagas ao Senado um dos pontos mais complexos da atual janela eleitoral.
Como apontam analistas, até esse momento, Mendes segue liderando a preferência de votos e se as eleições fossem hoje já estaria eleito senador por Mato Grosso.
Clique aqui e receba notícias em tempo real na palma da mão