Mato Grosso caminha para nova safra recorde e deve superar de 115,5 milhões t


O agronegócio de Mato Grosso voltou a demonstrar sua pujança e capacidade de superação ao cravar mais um recorde sobre recorde na produção de alimentos. O novo levantamento oficial da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado ontem (15), revela que a safra total de grãos do estado saltou de 112,60 milhões para o teto histórico de 115,51 milhões de toneladas (t), registrando um crescimento anual de 2,6%. O resultado isola ainda mais o estado na liderança da produção nacional e comprova a eficiência técnica do produtor mato-grossense diante dos desafios climáticos da temporada.

O grande marco histórico deste ciclo é mais uma vez a inversão de protagonismo no campo: o milho de segunda safra superou o volume total de soja. Impulsionado pelo forte apetite das indústrias locais de etanol de cereais, pela demanda externa de exportação, por investimentos da porteira para dentro e pelo clima, o milho safrinha saltou de 54,92 milhões t para 57,96 milhões t, expansão de 5,5%.

Por sua vez, a safra de soja mantém o seu patamar de estabilidade e liderança global. Com os trabalhos de colheita totalmente encerrados no estado, o balanço final consolidou uma produção de 51,62 milhões t, leve incremento de 0,6% em relação às 51,31 milhões t registradas no período anterior. Juntas, as cadeias de soja e milho sustentam a hegemonia mato-grossense na oferta de grãos da América do Sul.

No segmento de fibras, o algodão em pluma apresentou uma ligeira oscilação negativa, -1,7%, fechando o ciclo atual com um volume expressivo de 2,80 milhões t, frente às 2,85 milhões t colhidas anteriormente. Apesar do recuo marginal decorrente de ajustes localizados na área de plantio por decisões de mercado, a produtividade das lavouras de algodão em Mato Grosso garantiu o abastecimento das indústrias têxteis e os contratos internacionais de exportação da pluma.

BRASIL – A produção brasileira de grãos na safra 2025/26 deve alcançar 361,7 milhões t, volume que representa alta de 2,6% em relação à temporada anterior e de 0,3% frente ao levantamento de agosto. A estimativa incorpora o avanço da colheita do milho segunda safra, que registra produtividades acima do previsto.

Entre os dados apurados pela Companhia, a área de plantio no país cresceu 1,7% em comparação com o ciclo 2024/25, alcançando 83,5 milhões de hectares. Os maiores incrementos ocorreram na cultura da soja, que incorporou 1,3 milhão de hectares (2,7%), no milho, com aumento de 762,5 mil hectares (3,5%), e no sorgo, com alta de 32,9% (537 mil hectares).

Em agosto, os volumes de chuva superaram 90 mm na Região Sul, no sul de São Paulo e no litoral do Nordeste. Em contrapartida, diversas áreas do Centro-Oeste, do Norte e do interior nordestino registraram acumulados inferiores a 40 mm. O tempo seco favoreceu a colheita no Centro-Oeste e no Sudeste, ao passo que o excesso de chuva no Sul afetou pontualmente as lavouras de trigo. As temperaturas máximas passaram de 36 °C em cinco estados, e houve episódios de geadas, principalmente no Rio Grande do Sul.

Para os próximos meses, a previsão climática indica cenários distintos para a agricultura brasileira. Em grande parte do Norte e do Nordeste, as chuvas devem ficar abaixo da média. Já a Região Sul tem previsão de chuvas acima da média, com risco de excesso hídrico em áreas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Esse quadro decorre da persistência do fenômeno El Niño entre setembro e novembro.

As estimativas para a safra 2025/26 revelam variações entre as principais culturas. Soja, milho e algodão apresentam projeção de crescimento, enquanto arroz, feijão e trigo recuam frente ao ciclo anterior. A soja deve atingir 180,4 milhões de toneladas, e o trigo apresenta o maior recuo, de 27,1%.

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