A ex-primeira-dama de Mato Grosso e candidata a deputada federal, Virginia Mendes (União) oficializou seu apoio à candidatura de Zé Medeiros (PL) ao Senado durante um grande encontro da direita em Cuiabá na última quinta-feira (17). Reforçando a forte aliança de seu grupo com a família Bolsonaro, ela exaltou a competência e a postura firme do aliado para representar Mato Grosso no Congresso.
“O Zé Medeiros vai ser um grande senador, vai trabalhar muito pelo nosso estado e pelo nosso Brasil”, afirmou. Para Virginia, a atual crise em Brasília exige parlamentares destemidos e defendeu a eleição de Medeiros como legítimo representante da direita mato-grossense no Senado.
“Tenho certeza que esses senadores vão ser grandes guerreiros para defender a nossa população. Eles têm muita coragem e vão trabalhar para isso.”
Virginia apontou Medeiros como o nome ideal para liderar no Senado o endurecimento das leis contra a violência à mulher. Ela defendeu a modernização urgente do Código Penal: “Gostaria de pedir que a gente lutasse muito aqui junto com o senador Medeiros para a gente pedir a prisão perpétua para os agressores das nossas mulheres que são violentadas, são vítimas e morrem”, defendeu.
ENQUANTO ISSO, NOS BASTIDORES – A manifestação pública formalizou o isolamento político da senadora Margareth Buzetti dentro do próprio quartel-general governista. Até o evento no Centro de Eventos do Pantanal, o desenho estratégico do Palácio Paiaguás operava sob o preceito de “voto casado”: o primeiro voto carimbado para o ex-governador Mauro Mendes (União) e o segundo direcionado de forma consensual para Buzetti.
O pedido explícito de Virginia para que a militância apoie Medeiros implode o acordo e adiciona mais uma linha ao histórico de tensões e traições das eleições de 2026 em Mato Grosso. Até porque, Buzetti tem um histórico de atuação parlamentar em defesa da mulher.
Ao apontar o parlamentar do PL como o nome ideal para capitanear o endurecimento do Código Penal no Congresso e vocalizar bandeiras caras à primeira-dama — como a proposta de prisão perpétua para agressores —, Virginia Mendes desidrata a principal vitrine eleitoral de Margareth Buzetti. A senadora do PP construiu sua identidade de campanha justamente em cima da pauta de combate à violência doméstica, empunhando a autoria de propostas de impacto como a Lei do Vicaricídio. A perda do monopólio do discurso e do suporte do núcleo familiar do governador retira tração de Buzetti na corrida pelas duas cadeiras em Brasília.
Nos bastidores das coordenações de campanha, o movimento é lido como um realinhamento pragmático direcionado à consolidação das bases de direita, um movimento para, inclusive, tirar, ou tentar dificultar a conquista da segunda vaga por Janaína Riva (MDB), atualmente, a segunda colocada.
Na avaliação de analistas políticos locais, ao “escantear” a aliada da Federação União-Progressistas para inflar o palanque liberal, a cúpula do governo expõe a fragilidade dos pactos de fidelidade partidária e joga Buzetti para o bloco de vulnerabilidade nesta reta final da campanha de outubro.
Com a iminência de um segundo turno na disputa ao governo estadual, o grupo governista busca atrair o eleitorado conservador ligado ao PL e neutralizar focos de atrito com a bancada federal, para assim, confirmar a vitória caso a disputa fique entre Otaviano Pivetta (Republicanos) e Wellington Fagundes (PL).
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