A contagem regressiva para as eleições gerais de 2026 entra em sua fase mais aguda. Faltando menos de 15 dias para que os eleitores compareçam às urnas no dia 4 de outubro, o cenário político de Mato Grosso se prepara para um fato inédito em sua história contemporânea: a realização de um segundo turno para o Governo do Estado, conforme análise já publicada pelo MT Econômico.
Desde que o sistema de dois turnos foi instituído pela Constituição de 1988, Mato Grosso mantém a marca de ser o único estado do país a resolver todas as suas disputas para o Palácio Paiaguás logo na primeira etapa de votação, um tabu histórico que os dados de mercado indicam estar prestes a ruir.
Os números da nova rodada do instituto Paraná Pesquisas, divulgados na última sexta-feira (18), dão sustentação técnica a essa projeção de estiramento da disputa. Embora o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) lidere com 42,4% das intenções de voto, a legislação eleitoral brasileira exige que o primeiro colocado obtenha a maioria absoluta dos votos válidos (50% mais um voto, excluindo brancos e nulos) para liquidar a fatura de imediato. Na atual configuração de campo, a soma dos percentuais de seus concorrentes diretos — liderados por Wellington Fagundes (PL) com 29,6% e Doutora Natasha Shlessarenko (PSD) com 13,5% — atinge 43,1%, superando numericamente o índice do líder e forçando o avanço do calendário eleitoral.
Como apontam analistas políticas locais, se esse comportamento das urnas se consolidar, o eleitorado mato-grossense precisará retornar às seções eleitorais no dia 25 de outubro de 2026, data oficialmente reservada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para a realização do segundo turno em todo o território nacional.
“O avanço da disputa por mais três semanas modificará drasticamente o planejamento financeiro e o fôlego de marketing das coligações, que passarão a travar um embate direto e com tempo igualitário de propaganda no rádio e na televisão”, destacam.
CAÇA AOS INDECISOS – A iminência de um segundo turno acendeu o sinal de alerta nos comitês centrais em Cuiabá. Os estrategistas políticos apontam que os pequenos candidatos da lista — Sargento Laudicério (PP) com 0,8%, Mauricio Coelho (Mobiliza) com 0,4% e Rafaell Milas (Missão) com 0,4% — funcionam como forças de dispersão de votos na Baixada Cuiabana e em polos do interior, pulverizando o eleitorado e impedindo uma onda de voto útil de curto prazo.
A grande chave para os comitês majoritários na reta final do primeiro turno passa a ser a conversão dos 5,8% de eleitores indecisos (que não souberam ou não opinaram) e o diálogo com os 7,1% que declaram voto em nenhum, branco ou nulo.
A partir deste fim de semana, a estratégia das campanhas de Pivetta e Wellington Fagundes deve se concentrar em carreatas de grande porte nos maiores colégios eleitorais do estado, como Rondonópolis, Sinop, Cuiabá e Várzea Grande, buscando consolidar alianças com prefeitos locais para garantir capilaridade e musculatura para a prorrogação da disputa em outubro.
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