Workshop Brasília 2030+ reúne representantes de instituições para debater diversificação produtiva e atração de investimentos no DF


Evento promovido pelo CORECON-DF destacou oportunidades para fortalecer a economia regional, ampliar a inovação, revitalizar áreas urbanas e construir uma agenda integrada de desenvolvimento de longo prazo.

O Conselho Regional de Economia do Distrito Federal (CORECON-DF) realizou o Workshop Brasília 2030+ – Diversificação Produtiva e Atração de Investimentos, iniciativa que reuniu representantes de instituições públicas, setor produtivo, academia e entidades da sociedade civil para discutir estratégias voltadas ao desenvolvimento econômico do Distrito Federal e de sua região de influência.

O encontro promoveu uma reflexão sobre as potencialidades e os desafios da economia local, com destaque para a atração de investimentos, a diversificação da matriz produtiva, a economia criativa, a inovação tecnológica, a logística e a revitalização urbana. As contribuições apresentadas servirão de subsídio para a elaboração de um documento estratégico pelo CORECON-DF.

Entre os principais pontos debatidos estiveram a necessidade de transformar diagnósticos e planos já existentes em programas e projetos prioritários, fortalecer a cooperação entre instituições e ampliar a capacidade de financiamento de iniciativas capazes de gerar emprego, renda e oportunidades para a população.

Potencialidades e desafios da economia do Distrito Federal

As discussões evidenciaram vantagens competitivas importantes do Distrito Federal, como a elevada renda per capita, a concentração de capital humano qualificado, a presença de instituições de ensino e pesquisa e a posição geográfica estratégica de Brasília como centro de conexão logística da região Centro-Oeste.

Também foram ressaltados os instrumentos de estímulo à inovação, a exemplo do Parque Tecnológico de Brasília (Biotic), e a existência de planos e estratégias de desenvolvimento regional que podem contribuir para orientar novas iniciativas.

Ao mesmo tempo, os participantes apontaram desafios estruturais, como a desigualdade de renda, a dependência econômica do setor público, a expressiva participação de serviços de baixo valor agregado e as restrições à expansão de atividades produtivas relacionadas à disponibilidade de áreas, à regularização fundiária e à infraestrutura de apoio.

A avaliação compartilhada foi de que o Distrito Federal dispõe de ativos econômicos e institucionais relevantes, mas precisa avançar na articulação de políticas e investimentos que ampliem sua capacidade produtiva e reduzam as desigualdades regionais.

Governança regional e integração com o Entorno

A superintendente da Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco), Luciana Barros, destacou a importância de construir uma proposta de desenvolvimento que articule o poder público, a iniciativa privada, as universidades, as instituições de pesquisa e a sociedade civil.

Em sua contribuição, ressaltou a posição estratégica de Brasília nas redes logísticas do Centro-Oeste e as oportunidades relacionadas à integração regional. Também chamou a atenção para os desafios de governança da Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (RIDE), que envolve o Distrito Federal e municípios de Goiás e Minas Gerais.

Segundo os pontos debatidos, a dinâmica econômica da região exige maior coordenação entre os entes federativos, especialmente para equilibrar os custos e benefícios decorrentes dos fluxos de produção, consumo e demanda por serviços públicos.

Nesse contexto, foi destacada a importância de avançar em mecanismos de planejamento regional integrado de médio e longo prazo, com maior articulação orçamentária e institucional.

Luciana também apresentou quatro vetores estratégicos para o crescimento regional:

  • Economia do Conhecimento: fortalecimento do ambiente de inovação, dinamização do Biotic e valorização da diversidade cultural do Distrito Federal.
  • Agropecuária e agroindústria: ampliação das oportunidades de agregação de valor à produção e fortalecimento do cooperativismo.
  • Logística Inteligente: atração de investimentos em infraestrutura, centros de distribuição e serviços logísticos.
  • Economia Verde: desenvolvimento do turismo ecológico e valorização dos ativos ambientais da região.

Outro ponto ressaltado foi a necessidade de ampliar oportunidades de inserção profissional e empreendedorismo para públicos específicos, especialmente jovens e mulheres, além de melhorar a elaboração de projetos e a captação de recursos para investimentos.

Indústria sustentável e melhoria do ambiente de negócios

O primeiro vice-presidente da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra), Pedro Henrique Achcar Verano, defendeu a valorização de uma indústria de transformação sustentável, limpa e capaz de gerar demanda por serviços de maior valor agregado, como tecnologia da informação, finanças e atividades intensivas em conhecimento.

Entre as oportunidades mencionadas estão os segmentos de fármacos, tecnologias da informação e comunicação (TIC), turismo, alimentos, bioeconomia, celulose e biocombustíveis.

O representante também destacou a importância de aprimorar os marcos regulatórios, com atenção ao Plano Diretor de Ordenamento Territorial do Distrito Federal (PDOT) e ao Zoneamento Ecológico-Econômico do Distrito Federal (ZEE-DF).

Como medida para facilitar a chegada de novos empreendimentos, foi proposta a criação de uma porta única de atendimento a investidores nacionais e internacionais, além da revisão dos programas de incentivos fiscais para torná-los mais racionais, direcionados e efetivos.

Integração de políticas federais e fortalecimento dos polos produtivos

Tito Livio Queiroz e Silva, representante da COARIDE/Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, ressaltou a importância da articulação com o Ministério e com a Sudeco na construção de uma estratégia de desenvolvimento regional.

A contribuição destacou a possibilidade de integrar programas federais às iniciativas voltadas ao Distrito Federal e ao Entorno, incluindo as Rotas de Integração Nacional e ações de apoio a arranjos produtivos locais.

Entre as oportunidades discutidas estão o fortalecimento de polos produtivos ligados à fruticultura, à avicultura e às tecnologias da informação e comunicação, com potencial para estimular cadeias produtivas e ampliar a integração econômica regional.

Economia criativa e revitalização urbana

A economia criativa foi apontada como uma das áreas com potencial para diversificar a atividade econômica do Distrito Federal.

O professor Alexandre Kieling, da Universidade Católica de Brasília (UCB), destacou a importância de compreender as cadeias produtivas da economia criativa de forma integrada, considerando sua capacidade de conectar diferentes atividades econômicas e gerar oportunidades para pequenos negócios e empreendedores.

Nesse contexto, o Projeto de Revitalização do Setor Comercial Sul (SCS) foi apresentado como uma experiência que pode servir de referência para iniciativas semelhantes em outras regiões administrativas.

A discussão ressaltou que a revitalização urbana, quando articulada ao empreendedorismo, à cultura e aos serviços, pode contribuir para dinamizar territórios, fortalecer negócios locais e ampliar a geração de renda.

O representante da Fecomércio-DF, Eduardo, também reforçou a importância de priorizar a economia criativa e apresentou iniciativas desenvolvidas pela Federação. Entre as propostas destacadas estão a revitalização do Setor Comercial Sul, as Caravanas Criativas do Sistema S e ações de qualificação profissional do Senac.

Outras sugestões incluíram:

  • Criação de um portfólio público de projetos e propostas para apresentação a investidores;
  • Desenvolvimento de distritos criativos nas regiões administrativas;
  • Organização de um calendário unificado de economia criativa, integrando turismo, cultura e gastronomia;
  • Estruturação de um observatório de dados para acompanhar o setor.

Ronaldo Ivanilson da Silva, representante do Conselho de Desenvolvimento Econômico Sustentável e Estratégico do Distrito Federal (Codese-DF), apresentou a atuação da entidade e reforçou a importância da economia criativa como uma das prioridades para o desenvolvimento econômico local.

Da elaboração de diagnósticos à execução de projetos

Uma das principais conclusões do workshop foi a constatação de que o Distrito Federal já dispõe de diagnósticos econômicos, planos e estratégias que oferecem uma base relevante para orientar políticas de desenvolvimento.

Os participantes identificaram convergência entre diferentes instituições quanto aos principais desafios e às oportunidades para a economia regional. Essa convergência foi considerada um ativo institucional importante, capaz de facilitar a construção de uma agenda compartilhada.

O desafio, portanto, é avançar da formulação de princípios e diretrizes para a definição de programas e projetos prioritários, identificando quais iniciativas devem ser implementadas, quais políticas existentes precisam ser atualizadas e como organizar os investimentos em um planejamento plurianual de médio e longo prazo.

Também foram ressaltadas a necessidade de aperfeiçoar os mecanismos de financiamento, ampliar a segurança jurídica e melhorar a capacidade institucional de estruturar projetos aptos a captar recursos públicos e privados.

A governança interfederativa foi apontada como uma questão central para o desenvolvimento do Distrito Federal e do Entorno. A coordenação entre os entes federativos, a distribuição equilibrada dos custos e a utilização equitativa dos benefícios são condições importantes para que as estratégias regionais produzam resultados consistentes.

CORECON-DF contribuirá para a construção de uma agenda estratégica para 2030+

As contribuições apresentadas no Workshop Brasília 2030+ irão subsidiar a elaboração de um documento estratégico pelo CORECON-DF, com o objetivo de organizar propostas e contribuir para o debate sobre o futuro econômico do Distrito Federal.

A iniciativa reforça o papel do Conselho na promoção do diálogo entre instituições, na valorização do conhecimento econômico e na formulação de propostas voltadas ao desenvolvimento sustentável, à diversificação produtiva e à ampliação das oportunidades econômicas.

O desafio de Brasília 2030+ é transformar as vantagens competitivas da região em investimentos, inovação, geração de emprego e renda e melhoria da qualidade de vida, por meio de uma agenda articulada, com prioridades definidas, projetos estruturados e cooperação institucional.

Assista à transmissão do evento

A gravação do workshop está disponível no canal oficial do evento no YouTube.



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