O pontapé inicial do Horário Eleitoral Gratuito na televisão e no rádio redesenhou o cenário da disputa pelo comando do Palácio Paiaguás. No primeiro dia de exibições, os candidatos ao governo de Mato Grosso recorreram a estratégias de comunicação bem distintas para fisgar a atenção do eleitorado. As narrativas variaram entre a exaltação da trajetória pessoal, o pragmatismo da eficiência administrativa e duras críticas ao abismo social em um dos estados mais ricos do agronegócio nacional.
Doutora Natasha abre programas com foco na área social e críticas às oligarquias
A médica pediatra Doutora Natasha (PSD) foi a responsável por abrir o bloco de propagandas na TV. Aos 58 anos, a candidata utilizou seus primeiros minutos para costurar sua biografia profissional, destacando sua atuação como médica de crianças, professora universitária e empresária no setor da saúde. Em um tom assertivo, Natasha afirmou que sua entrada na política foi motivada pelo cansaço de esperar que o poder público estadual “enxergue o cidadão comum”.
O ponto central do programa da candidata do PSD foi o forte contraste econômico do estado. Natasha atacou o paradoxo de Mato Grosso figurar no topo dos rankings nacionais de produção de riquezas e commodities enquanto mantém bolsões de pobreza e insegurança alimentar. A médica também subiu o tom contra o atual cenário político local, questionando a permanência e o revezamento de um mesmo grupo tradicional no comando da máquina pública estadual.
Otaviano Pivetta foca em Lucas do Rio Verde e exibe chancela de Mauro Mendes
O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) centralizou sua estreia eleitoral na consolidação de sua imagem como um “gerente nato”. O candidato relembrou sua chegada ao estado e o início de sua trajetória pública, justificando que entrou na política por indignação frente às carências da infraestrutura local. Pivetta resgatou sua experiência como prefeito e utilizou a transformação socioeconômica de Lucas do Rio Verde como o grande cartão de visitas de sua capacidade de entrega.
Para além do legado municipal, a propaganda tratou de amarrar suas conquistas passadas à atual estabilidade das contas do Estado. Pivetta destacou que foram necessários dois anos de intenso trabalho interno para organizar o caixa estadual e inaugurar o atual ciclo de investimentos em Mato Grosso. O ponto alto da inserção foi a participação do ex-governador Mauro Mendes, que apareceu de forma contundente declarando apoio ao aliado e carimbando Pivetta como um gestor “correto, honesto e competente”.
Wellington Fagundes adota tom emocional e exalta a “força da gente”
Adotando uma linha mais clássica e emotiva, o senador Wellington Fagundes (PL) preferiu estrear sua campanha ao governo focando nos laços de identidade com o território mato-grossense. A peça publicitária do candidato do Partido Liberal desenhou uma linha do tempo marcada por relatos de “luta, sofrimento, esperança e superação”, buscando criar uma conexão de empatia direta com o eleitorado trabalhador.
Wellington explorou exaustivamente o fato de ser um político que conhece o interior profundo, reforçando que já percorreu todas as regiões e municípios de Mato Grosso ao longo de sua vida pública. Em vez de despejar dados técnicos ou focar em embates políticos diretos, a estratégia da coligação “Coração da Gente” preferiu humanizar o candidato, vendendo a ideia de proximidade com o povo e colocando o cidadão comum como o verdadeiro responsável pela pujança do estado.
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