O esvaziamento provocado pelas articulações e agendas de campanha eleitoral levou à suspensão formal das sessões plenárias na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) até o encerramento do primeiro turno. Os trabalhos em plenário só serão retomados no dia 7 de outubro. A decisão, oficializada ontem (9), pelo presidente da Casa, deputado Max Russi (Podemos), apenas chancela o cenário de paralisia institucional decorrente do baixo quórum crônico que vinha se arrastando nas últimas semanas no parlamento estadual.
A ausência em massa dos parlamentares e a consequente falta de votações já vinham gerando forte desgaste interno. Recentemente, o deputado Júlio Campos (União) usou a tribuna em tom de profunda indignação para questionar publicamente a falta de compromisso de seus pares. Na oportunidade, Júlio criticou duramente o abandono das funções legislativas em nome dos interesses eleitorais nos municípios, alertando que a sociedade mato-grossense continuava pagando os salários de uma estrutura que se encontrava praticamente paralisada.
De acordo com a presidência da ALMT, os próprios parlamentares pressionaram para que o modelo adotado no pleito de 2022 fosse repetido, sob o argumento de que a falta de deputados inviabilizava qualquer deliberação. Com a concordância da maioria, a estratégia foi congelar as atividades oficiais para evitar o constrangimento de seguidas sessões derrubadas por falta de quórum. Diante disso, uma extensa pauta com vetos governamentais e matérias pendentes ficará acumulada para ser apreciada de uma só vez na primeira semana pós-eleição.
Além do foco exclusivo dos deputados na busca por votos, as restrições impostas pela legislação eleitoral também foram apontadas como justificativa para o travamento da pauta. Durante o período que antecede a votação, o parlamento fica impedido de votar projetos ou ações que possam gerar benefícios diretos aos deputados que disputam a reeleição ou apoiam aliados, o que reduz o volume de propostas de grande impacto.
Historicamente, o Palácio Paiaguás também evita enviar projetos de alta complexidade ou pautas consideradas polêmicas ao Legislativo neste período do ano. Com os debates transferidos das comissões para os palanques, a Assembleia Legislativa funcionará em ritmo de plantão burocrático até que as urnas definam o novo cenário político do estado.
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