Antes de dar largada a nova safra de soja em MT é preciso focar em diagnósticos biológicos de solo


O coração do agronegócio brasileiro se prepara para dar a largada oficial no ciclo que move a economia do país. Na próxima semana, com o encerramento do período obrigatório do vazio sanitário, os produtores rurais de Mato Grosso darão início ao plantio da soja para a safra 2026/27. Nesta temporada, o planejamento e a preparação do solo ganharam o reforço de tecnologias avançadas de biologia molecular. Antes mesmo de as plantadeiras entrarem em campo, testes de DNA e ferramentas de biotecnologia estão sendo aplicados para mapear a saúde do solo, um passo considerado crucial para o estado que lidera a produção nacional.

Esses exames moleculares atuam de forma complementar às tradicionais análises químico-físicas da terra. A estratégia permite que o cotonicultor e o sojicultor tenham um diagnóstico exato sobre a microbiologia e a sanidade do ambiente de cultivo antes de depositar as sementes. Na prática, as ferramentas fornecem dados preventivos que fundamentam decisões sobre a correção do solo, o manejo biológico e, principalmente, a prevenção de doenças radiculares que costumam dizimar a produtividade.

O grande diferencial tecnológico desta safra reside na aplicação da técnica de qPCR (Reação em Cadeia da Polimerase em Tempo Real). Por meio dela, laboratórios conseguem detectar e quantificar com precisão milimétrica a presença de fungos nocivos e nematoides ocultos no solo antes que as plantas comecem a germinar ou manifestar qualquer sintoma de estresse.

“Antes do plantio, é importante conhecer as condições do solo, que podem abrigar diferentes patógenos. Quando a semente germina e a planta começa a se desenvolver, esses organismos encontram condições favoráveis para se multiplicarem e podem comprometer a lavoura. A análise antecipada ajuda o produtor a selecionar cultivares mais adequadas, definir o melhor bioinsumos para o tratamento das sementes e tomar medidas preventivas de manejo fitossanitário”, explica Tatiani Janegitz, gerente de Desenvolvimento de Mercado.

Especialistas de mercado explicam que os patógenos muitas vezes sobrevivem em estado de dormência na terra seca. Assim que a semente germina e a umidade aumenta, esses organismos encontram o ambiente perfeito para se multiplicarem, comprometendo o vigor inicial da lavoura. Descobrir a ameaça de forma antecipada permite ao produtor selecionar as cultivares mais resistentes, ajustar os defensivos e definir quais bioinsumos serão utilizados no tratamento industrial de sementes (TSI). Além disso, o sequenciamento de DNA de nova geração (NGS) já permite desenhar um mapa completo da biodiversidade de microrganismos benéficos presentes em cada talhão.

MERCADO DE BIOINSUMOS – A proximidade da semeadura em Mato Grosso também acelerou o ritmo de entrega das indústrias de bioinsumos. Como grande parte desses produtos defensivos e fertilizantes é formulada a partir de microrganismos vivos (bactérias e fungos predadores), a logística precisa ser milimetricamente calculada para que os produtos cheguem ao campo com máxima viabilidade biológica.

O mercado brasileiro de biológicos vive uma expansão geométrica, tendo movimentado mais de R$ 6,2 bilhões no último balanço anual consolidado, o que representou uma alta de 15%. A área tratada com essa matriz regenerativa saltou 28% no país, atingindo 194 milhões de hectares. A cultura da soja é a protagonista absoluta desse ecossistema de inovação, concentrando sozinha 62% do consumo total de bioinsumos do Brasil, com uma taxa média de adoção por área plantada que saltou de 23% para 26%.

Para dar sustentação a essa demanda de alta precisão que começa na próxima semana, os laboratórios de controle de qualidade das fábricas também utilizam a biologia molecular. O monitoramento via qPCR garante a pureza genética dos lotes, assegura que não haja contaminantes biológicos e acelera a liberação de cargas de forma muito mais rápida do que as culturas em placas convencionais. Na virada para a safra 2026/27, cujo complexo nacional projeta colher mais de 180 milhões de toneladas, entender o ambiente onde a semente será inserida tornou-se o melhor seguro contra os riscos climáticos e sanitários do campo.

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