Buzetti critica Fávaro por monopolizar emendas e dispara: “Nunca me deixou R$ 1,00”


A suplente no Senado, Margareth Buzetti (PP), abriu o jogo sobre a relação conturbada com o senador e ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD). Em entrevista à Rádio Capital FM, ontem (8), Buzetti criticou duramente o colega de chapa, acusando-o de centralizar totalmente a destinação de emendas parlamentares e de não abrir espaço para o diálogo com os suplentes.

“Nunca me deixou nem R$ 1”, detonou a progressista. Segundo Buzetti, todas as vezes que Fávaro pedia exoneração do ministério para reassumir temporariamente o mandato no Senado, ela era automaticamente destituída do cargo. “Ele voltava, pegava as emendas e nunca deixava nada”, relatou.

Devido a essa dinâmica, Buzetti explicou que os recursos que conseguiu articular durante o período em que esteve exercendo a cadeira em Brasília foram fruto de comissões temáticas, com foco voltado ao enfrentamento da violência contra as mulheres.

DISTANCIAMENTO IDEOLÓGICO – Eleitos na mesma chapa, Buzetti e Fávaro hoje trilham caminhos políticos opostos. Enquanto a suplente reafirma sua postura alinhada à direita, Fávaro se consolidou na base do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “A minha posição política sempre foi pública. Eu nunca fui de esquerda, sempre fui de direita. Mas acho estranha essa mudança dele para virar ministro”, alfinetou.

ORÇAMENTO – Além dos problemas internos da chapa, Buzetti também criticou o atual modelo de liberação de emendas parlamentares no Brasil, descrevendo a relação entre o Legislativo e o Executivo como um balcão de negócios prejudicial ao país.

“Não é possível que o Legislativo sequestre o dinheiro do Executivo e fique um fazendo chantagem para o outro. O Legislativo, se não empenham as emendas, não vota as matérias. E aí o Executivo também faz chantagem: ‘se você não votar, eu não pago suas emendas’”, criticou.

Para a suplente, a atuação em Brasília virou uma corrida meramente financeira. Ela defendeu que o papel do parlamentar deve ir muito além de enviar verbas para bases eleitorais. “O parlamentar tem que trabalhar no ofício, mas eles só ficam lá para distribuir emendas. Tem gente que distribuiu R$ 400 milhões. Isso é um absurdo. Aí o que fez de lei? Qual senador tem leis aprovadas e relevantes?”, questionou.

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