Barrado pela Justiça de atuar diretamente em campanhas por estar em prisão domiciliar, o ex-presidente Jair Bolsonaro escalou o filho Flávio e a esposa Michelle para capitanear a campanha de José Medeiros (PL) ao Senado em Mato Grosso. A ofensiva familiar tenta saldar uma dívida histórica de 2022, quando a candidatura de Medeiros foi vetada pela cúpula nacional do PL para priorizar a reeleição de Wellington Fagundes.
Em 2026, a rivalidade interna ganha um novo e tenso capítulo: agora candidato ao Governo do Estado, Wellington tenta esvaziar o palanque de Medeiros para cacifar a candidatura ao Senado de sua nora, a deputada estadual Janaina Riva (MDB).
O posicionamento de Wellington tornou-se o principal ponto de divergência dentro do PL mato-grossense. A defesa insistente do candidato ao governo em favor de Janaina Riva, pressionando o grupo para garantir espaço à nora nos principais eventos de campanha, acabou repelindo a base aliada de Medeiros.
Diante dessa pressão, o distanciamento de José Medeiros da campanha de Wellington ocorreu de forma automática. Internamente, o entendimento majoritário é de que Fagundes trabalha exclusivamente para eleger a nora ao Senado, mesmo sabendo que pedir votos para a emedebista chegar a Brasília implique diretamente na derrota de seu próprio correligionário de partido.
ALIANÇA NAUFRAGADA: SEM FOTOS OU VÍDEOS COM JANAINA – Diferentemente do que foi amplamente veiculado por Janaina Riva quando a coligação entre o PL e o MDB foi anunciada, Flávio e Michelle Bolsonaro não farão fotos ao lado da deputada e nem gravarão vídeos apoiando-a como uma suposta segunda força da direita ao Senado em Mato Grosso.
Tanto o senador Flávio, quanto a ex-primeira-dama, fazem exatamente a mesma leitura política do grupo de Medeiros. Eles enxergam a deputada do MDB como uma ameaça real e direta à eleição do deputado federal, optando por fechar totalmente as portas para a emedebista.
AGENDA RESTRITA COM COORDENADOR NACIONAL – Este cenário de isolamento motivou o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador oficial da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, a não incluir Wellington Fagundes na agenda realizada na última sexta-feira (21), em Cuiabá. Conforme noticiado pelo HNT, a reunião política foi estrita e aconteceu unicamente a pedido de Medeiros. O presidenciável Flávio Bolsonaro não cumpriu agenda no estado, pois esteve pela manhã no interior de São Paulo e seguiu direto para o Rio de Janeiro.
A vinda de Marinho a Cuiabá foi viabilizada pelo empresário do agronegócio Odílio Balbinotti Filho (PL), que atua como primeiro suplente na chapa de Medeiros. Muito próximo a Jair Bolsonaro, Odílio intensificou o diálogo com a direção nacional e com o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, consolidando-se como uma peça-chave na blindagem da candidatura de Medeiros contra as investidas do grupo de Fagundes.
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