Fim da taxa das blusinhas reacende consumo entre população de menor renda


A redução a zero do Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50 ocorre em um cenário de alta rejeição à cobrança. Dados da pesquisa da Plano CDE mostram que 70% dos entrevistados se dizem contrários à taxa. Entre os consumidores das classes C, D e E, o índice chega a 71%.

Para a Proteste, o resultado reforça que o debate sobre a chamada taxa das blusinhas precisa considerar o acesso a produtos de baixo valor e a liberdade de escolha, sobretudo entre famílias com orçamento mais apertado. A associação defende que o fim da cobrança se torne permanente.

A pauta ganha urgência com a tramitação da Medida Provisória 1.357/2026, que deu base legal para zerar a alíquota federal. De acordo com o calendário do Congresso Nacional, o texto precisa ser deliberado até 8 de setembro para que a mudança permaneça em vigor.

Os dados dialogam com a pesquisa da PROTESTE, realizada com 1,3 mil consumidores entre 12 e 21 de maio de 2026. O levantamento mostrou que 75% consideravam injusta a cobrança sobre compras internacionais de até US$ 50. O percentual subia para 79% entre consumidores das classes C e D e alcançava 80% no Nordeste.

“Essa discussão precisa partir de uma premissa simples: estamos falando de acesso. As compras internacionais de baixo valor já fazem parte da realidade de milhões de brasileiros porque ajudam no orçamento das famílias e ampliam as opções de consumo. Quando a tributação desconsidera esse impacto, quem sente primeiro é justamente o consumidor que tem menos margem no fim do mês. Por isso, o debate precisa colocar o consumidor no centro e o Congresso tem a oportunidade de dar uma resposta concreta a essa demanda”, afirma Henrique Lian, diretor geral da Proteste.

A pesquisa da Proteste revelou ainda que 92% dos entrevistados consideram correta a decisão de acabar com a taxa. Para 88%, o Congresso Nacional deveria tratar o fim da cobrança como prioridade. A rejeição também aparece no novo levantamento da Plano CDE, realizado em junho, a pedido da Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia, a Amobitec. Foram ouvidas 1,5 mil pessoas em uma amostra representativa da população brasileira adulta com acesso à internet. Entre os entrevistados, 70% se disseram contrários à taxa. O índice de rejeição chega a 71% nas classes C, D e E. Entre os consumidores das classes A e B, fica em 65%.

A percepção sobre os efeitos da medida segue crítica. Para 58% dos entrevistados pela Plano CDE, a taxa beneficiou grandes empresários e prejudicou a população de menor renda. Para 56%, a tributação falhou em impulsionar o comércio local como o governo esperava.

Os efeitos da antiga cobrança também apareceram no comportamento de compra. Entre os consumidores que souberam da criação da taxa, 45% passaram a comprar menos em plataformas internacionais. Nas classes C e D, o índice chegou a 47%.

O impacto alcançou ainda o valor gasto. Segundo a Proteste, 56% dos consumidores diminuíram suas despesas nessas plataformas após a cobrança. Entre as classes C e D, o percentual foi de 59%. “O efeito da taxa foi concreto, sobretudo entre os consumidores de menor renda. A cobrança encareceu compras de baixo valor e restringiu escolhas. Com a alíquota federal zerada, o consumidor recupera parte dessa liberdade”, completa Henrique Lian.

Essa maior liberdade de escolha convive com a manutenção do consumo no varejo nacional. Segundo a Plano CDE, 66% pretendem manter o volume de compras em lojas brasileiras após o fim da taxa, enquanto 21% esperam comprar mais.

Nas plataformas internacionais, 50% afirmam que pretendem aumentar as compras caso o fim do imposto seja aprovado pelo Congresso. Outros 39% planejam manter o volume atual. Em conjunto, os dados apontam para uma relação complementar entre os canais e para um consumidor que escolhe de acordo com seu orçamento.

Até hoje, 24 de julho, a Medida Provisória 1.357/2026 seguia aguardando a instalação da comissão mista no Congresso Nacional, após receber 112 emendas. Para a Proteste, o prazo restante deve ser usado para transformar o fim da cobrança em uma solução permanente e garantir previsibilidade ao consumidor.

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