Mato Grosso está prestes a quebrar um tabu político que já dura quase quatro décadas. Historicamente conhecido como o único estado do Brasil que nunca registrou uma disputa de segundo turno para o cargo de governador, o território mato-grossense caminha a passos largos para mudar essa escrita nas eleições de 2026. Os levantamentos mais recentes dos institutos Paraná Pesquisas e MT Dados apontam um cenário de fragmentação e equilíbrio extremo na preferência do eleitorado, tornando a segunda etapa de votação um desfecho praticamente inevitável.
O avanço de Pivetta e a forte resistência de Fagundes nas urnas apontam que a eleição de 2026 será não apenas a mais equilibrada, mas também a mais longa da trajetória democrática de Mato Grosso.
Desde a redemocratização do país, todas as eleições majoritárias para o Palácio Paiaguás foram liquidadas logo no primeiro turno. Governantes emblemáticos como Dante de Oliveira, Blairo Maggi, Silval Barbosa, Pedro Taques e, mais recentemente, Mauro Mendes, garantiram suas posses sem a necessidade de retornar às urnas em uma rodada decisiva. No entanto, a ausência de uma “onda” avassaladora de voto útil e a presença de múltiplas candidaturas competitivas de direita pulverizaram as intenções de voto na Baixada Cuiabana e no interior.
A rodada de pesquisas divulgada nesta segunda-feira (24) pelo Paraná Pesquisas ilustra o tamanho desse funil. O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) lidera numericamente com 39% das intenções de voto, seguido de perto pelo senador Wellington Fagundes (PL), que registra 35%. Como nenhum dos dois consegue ultrapassar a barreira dos 50% dos votos válidos exigidos pela legislação eleitoral, a fatia capturada pela médica Natasha Slhessarenko (PSD), com 8,7%, e por candidatos menores funciona como o fiel da balança para empurrar a decisão para o fim de outubro.
O desenho de um confronto direto em segundo turno acirrou de forma imediata a guerra de bastidores e as estratégias das coligações. Pela primeira vez na história local, os coordenadores de campanha são obrigados a desenhar planos de médio prazo, guardando, especialmente, munição financeira e costurando alianças programáticas de olho no apoio dos partidos derrotadas na primeira fase.
Editoria Economia, Política, Eleições
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