A candidata a vice-governadora de Mato Grosso, Gisela Simona (União Progressista), defendeu o fortalecimento das ações de prevenção, informação e atendimento às mulheres como estratégia para ampliar o número de denúncias de violência no Estado. A declaração foi dada em entrevista ao MT Econômico, em que também foram discutidas propostas para combater o feminicídio e melhorar o acesso das vítimas à rede de proteção.
Durante a entrevista, foi citado um levantamento atribuído à Polícia Civil segundo o qual cerca de 96% das mulheres não denunciam as agressões sofridas. Questionada sobre como enfrentar o medo e a falta de confiança das vítimas nas instituições, Gisela afirmou que o primeiro passo é garantir que elas conheçam os serviços disponíveis.
“Nós precisamos entender que a mulher precisa saber o que o Estado tem de proteção, qual é a rede de proteção que ela tem, e precisa entender que essa rede funciona”, declarou.
Segundo a candidata, durante muitos anos as mulheres foram levadas a acreditar que a denúncia não teria resultado ou poderia agravar a situação. “Ficou no subconsciente das mulheres que não adianta denunciar, não vai acontecer nada, eu só vou piorar a minha situação”, afirmou.
Política pública precisa chegar antes da tragédia
Gisela defendeu que o poder público atue antes que a violência evolua para casos mais graves. Para ela, o trabalho de prevenção deve começar ainda nas escolas, com a capacitação de professores e a sensibilização dos estudantes.
“Nós temos um trabalho de prevenção, porque a política pública tem que chegar antes da tragédia”, disse. A candidata citou alterações na grade curricular e ações voltadas à educação como instrumentos para promover uma mudança cultural e evitar a naturalização da violência contra as mulheres.
Na avaliação de Gisela, o enfrentamento do problema exige a participação das famílias, das escolas e dos órgãos públicos. “Não podemos naturalizar a violência. É muito importante a denúncia”, ressaltou.
Portal reúne serviços de apoio
Entre as ferramentas disponíveis, a candidata mencionou o Portal da Mulher, criado pelo Governo de Mato Grosso para reunir informações sobre os serviços de atendimento às vítimas.
De acordo com Gisela, a plataforma permite localizar orientações sobre denúncias, delegacias, atendimento da Defensoria Pública e serviços voltados à saúde mental. “Ali você tem onde denunciar, onde você tem delegacia, onde você tem um defensor público para poder te ajudar”, explicou.
Ela também destacou a importância do atendimento psicológico para que as mulheres consigam recuperar a confiança e romper o ciclo de violência. “Você tem um tratamento para sua saúde mental, para ter coragem de sair desse ciclo de violência”, afirmou.
Tecnologia para ampliar atendimento psicológico
A candidata defendeu ainda o uso da tecnologia para levar atendimento psicológico a mulheres de diferentes regiões de Mato Grosso, especialmente àquelas que vivem longe dos grandes centros.
“Nós estamos tentando aí via tecnologia que a pessoa de qualquer lugar do Estado possa ter esse atendimento psicológico, sem precisar ter que romper quilômetros para chegar a um tratamento como esse”, declarou.
Segundo Gisela, a ampliação do atendimento remoto pode ajudar a aproximar o Estado das vítimas e oferecer suporte em um momento de vulnerabilidade. “Nós estamos pensando nesse uso da tecnologia também para amparar mais de perto as mulheres”, afirmou.
Confiança na proteção do Estado
Para a candidata, informar a população sobre os serviços existentes é fundamental, mas também é necessário garantir que a mulher tenha confiança de que será protegida após denunciar.
“Nós precisamos fazer com que ela tenha certeza de que, agindo, denunciando, ela vai ter a devida proteção do Estado”, disse Gisela.
Ela relacionou a baixa quantidade de vítimas que possuíam medidas protetivas antes de serem assassinadas à falta de conhecimento e de confiança na rede pública. “Ainda não há um conhecimento ou a confiança necessária de que o Estado está para proteger as mulheres, e nós precisamos aumentar isso”, concluiu.
As propostas apresentadas integram o plano defendido por Gisela Simona para uma eventual gestão ao lado de Otaviano Pivetta, com foco na prevenção da violência, na ampliação do acesso à informação e no fortalecimento da rede de proteção às mulheres em Mato Grosso.
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Veja abaixo o trecho da entrevista do MT Econômico com Gisela Simona
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