O iminente e inédito cenário de segundo turno em Mato Grosso transformou o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão — que começa nesta sexta-feira (28) — no principal divisor de águas da campanha. Com a divulgação do Paraná Pesquisas mostrando Otaviano Pivetta (Republicanos) com 39% contra 35% de Wellington Fagundes (PL), os marqueteiros das principais frentes majoritárias já recalibraram os discursos de bastidores. A expectativa é que a propaganda em rede sirva para massificar as propostas e, sobretudo, definir o teto de crescimento de cada chapa na Baixada Cuiabana e no interior do Estado.
O veredicto do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT) conferiu a Otaviano Pivetta o maior latifúndio no ar: serão 3 minutos e 14 segundos por bloco. Estrategistas da campanha governista, sob o selo da coligação “Mato Grosso Não Pode Parar”, avaliam que esse tempo será fundamental para transpor a alta aprovação administrativa do Palácio Paiaguás em votos diretos na urna.
A meta do marketing de Pivetta é usar o espaço para carimbar o governador como o “tocador de obras” de Mato Grosso, exibindo os 7 mil quilômetros de asfalto novo e contrapondo sua baixa rejeição (16,3%) ao desgaste dos rivais para tentar liquidar o pleito sem a necessidade da rodada de outubro.
No entanto, o verdadeiro elemento de desestabilização da polarização atende pelo nome de Natasha Slhessarenko (PSD). Dona do segundo maior tempo de TV — com 3 minutos e 1 segundo por bloco —, a médica e representante da federação de esquerda terá a responsabilidade de abrir o primeiro programa oficial na sexta-feira.
Marqueteiros ligados ao núcleo de Natasha apostam em um crescimento vertical da candidata a partir da exposição massiva. Segundo a leitura interna, o fato de ela pontuar com 8,7% no Paraná Pesquisas e 12% no MT Dados, somado ao dado de que 35% dos eleitores ainda afirmam não conhecê-la, dá à pessedista o maior potencial de oscilação positiva da rodada, podendo capturar o eleitorado moderado e de centro-esquerda.
Pelo lado de Wellington Fagundes (PL), que amargou o terceiro tempo com 2 minutos e 43 segundos, a estratégia audiovisual será cirúrgica. O marketing da coligação “Coração da Gente” descarta o pessimismo com o cronômetro menor e foca na altíssima densidade de inserções diárias de 30 e 60 segundos distribuídas ao longo da programação das emissoras para estancar a atual tendência de queda.
A aposta central dos liberais será a nacionalização agressiva do debate, colando a imagem de Wellington à do ex-presidente Jair Bolsonaro para ativar o voto ideológico da direita no agronegócio e reverter os 25,7% de rejeição captados na última amostragem.
“O programa em bloco apresenta o candidato, mas são as inserções ao longo do dia que criam o sentimento de recall e mudam o voto do eleitor indeciso”, resume um experiente consultor político que atua na coordenação de uma das chapas majoritárias. Com as exibições fixadas para as segundas, quartas e sextas-feiras, a tela da televisão virará o principal ringue de Mato Grosso. A partir do dia 28, o eleitorado assistirá à maior disputa de narrativas da história do Estado, onde cada segundo perdido pode custar a vaga na inédita rodada final das eleições.
Clique aqui e receba notícias em tempo real na palma da mão