O deputado federal e candidato ao Senado, José Medeiros (PL), apresentou um recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) na tentativa de reverter a decisão liminar que determinou a divisão igualitária do horário eleitoral gratuito com sua companheira de chapa, a deputada estadual Janaina Riva (MDB). Em declarações públicas, o parlamentar criticou duramente a determinação do ministro Alexandre de Moraes, classificando o ato como uma “interferência” e uma suposta retaliação política. Medeiros destacou que, apenas um dia antes da canetada, havia protocolado um pedido de impeachment e de prisão contra o magistrado.
A disputa jurídica teve início após o diretório nacional do MDB e a defesa de Janaina acionarem o STF contra os critérios de distribuição da coligação “Coração da Gente”. Anteriormente, a partilha interna destinava 1 minuto, 12 segundos e 64 centésimos para a campanha de Medeiros, enquanto Janaina contava com 49 segundos e 78 centésimos. Ao julgar a reclamação procedente, o ministro Alexandre de Moraes estabeleceu que cada candidatura majoritária deve receber exatamente 50% do tempo de antena no rádio e na televisão, baseando-se na jurisprudência de igualdade proporcional entre candidaturas masculinas e femininas.
Com o novo recurso, a defesa de Medeiros tenta restabelecer o plano de mídia original do bloco partidário, argumentando que a mudança abrupta prejudica as estratégias de marketing traçadas pela legenda. Por outro lado, Janaina Riva tem minimizado o embate jurídico, afirmando que a busca pelo equilíbrio do tempo na Suprema Corte não se trata de uma questão pessoal contra o colega de chapa, mas sim de uma medida necessária para dar fôlego e isonomia à sua campanha ao Congresso Nacional
NOVOS SUPLENTES – Janaina Riva trouxe para o centro dos holofotes as figuras de Danilo Berndt Trento e Rafael Yamada Torres. Substituindo Aluízio Lima e Ibrahim Zaher, os novos parceiros de caminhada da emedebista não chamam a atenção apenas pelo expressivo patrimônio declarado conjunto de mais de R$ 16,5 milhões, mas também por carregarem em suas trajetórias o peso de investigações em operações de repercussão nacional e estadual.
O primeiro suplente, o empresário do setor de medicamentos Danilo Trento, é um nome conhecido dos relatórios de inteligência policial. Ele ganhou projeção nacional ao ser indiciado pela CPI da Pandemia, em 2021, por suspeitas de fraudes em contratos e organização criminosa na tentativa de compra da vacina Covaxin. Mais recentemente, Trento voltou a figurar na mira da Polícia Federal e do Coaf. Ele foi alvo de convocação na CPMI do INSS, que apura um esquema bilionário de descontos fraudulentos e indevidos diretamente nas folhas de pagamento de aposentados e pensionistas.
Já o segundo suplente, o empresário Rafael Yamada Torres, além de ostentar bens peculiares — como uma quantia em euros e um estoque de ouro avaliado em R$ 3,8 milhões —, também tem o nome ligado aos radares de investigações em Mato Grosso. Filho do ex-secretário de Saúde de Cuiabá, Jorge Lafetá, Rafael Yamada foi um dos alvos da Operação Confraria, deflagrada pela Polícia Civil para desarticular fraudes e desvios de recursos públicos na Empresa Cuiabana de Saúde Pública (ECSP).
Nos bastidores da campanha eleitoral, a escolha das novas peças de apoio ao Senado acendeu o debate ético no estado. Se por um lado a entrada dos empresários injeta musculatura financeira na coligação, por outro força o núcleo político de Janaina Riva a gastar energia na defensiva. A oposição já começou a explorar o perfil dos suplentes, apontando que a chapa que tanto discursa em defesa da moralidade e da representatividade agora avança cercada por carimbos de investigações e polêmicas policiais.
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