A corrida pelas vagas de Mato Grosso no Senado Federal ganhou contornos belicosos após as últimas declarações de Mauro Mendes (União). Ao responder sobre sua fama de isolar aliados, o ex-chefe do Palácio Paiaguás usou o espaço para transformar suas rupturas políticas em bandeiras de campanha. Mendes descarregou críticas sobre a gestão fiscal de Pedro Taques e a atual situação administrativa de Cuiabá sob Emanuel Pinheiro. No campo político-ideológico, o candidato focou em desidratar Carlos Fávaro perante o eleitorado conservador de Mato Grosso, relembrando a mudança do social-democrata em direção à base governista do presidente Lula.
A corrida eleitoral pelas vagas de Mato Grosso no Senado Federal ganhou contornos de forte enfrentamento. Em entrevista concedida nesta segunda-feira (31) ao programa Notícia de Frente, da TV Vila Real, o ex-governador e candidato ao Senado, Mauro Mendes (União), afirmou categoricamente que se orgulha dos rompimentos políticos que acumulou ao longo de sua trajetória pública. Questionado se possuía um perfil centralizador ou “desagregador”, Mendes rebatou as críticas expondo sua lista de desafetos e atacando a herança administrativa de antigos aliados.
O posicionamento do candidato do União Brasil ocorre em um momento de rearranjo de forças nas bases partidárias do estado. Ao justificar o distanciamento de lideranças que outrora caminharam ao seu lado, o ex-chefe do Palácio Paiaguás defendeu que as rupturas foram necessárias para preservar a integridade da gestão pública, rechaçando qualquer tentativa de conciliação com modelos de governo que ele considera ineficientes ou incoerentes.
ARTILHARIA – O primeiro alvo da ofensiva de Mauro Mendes foi o ex-prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (PSD). Mendes não economizou adjetivos e carimbou o legado do pessedista na capital de forma devastadora. “Que orgulho eu tenho de ter rompido com o Emanuel Pinheiro, um dos piores prefeitos da história de Cuiabá e a imprensa já noticiou quantas vezes foi o caos da administração dele”, disparou o candidato, associando o rival aos escândalos e crises financeiras que afetaram o município.
Na sequência, a artilharia foi direcionada ao ex-governador Pedro Taques (PSB), com quem Mendes dividiu palanque no passado e que agora também disputa uma vaga ao Senado. Mauro atribuiu a Taques a responsabilidade pelo colapso financeiro enfrentado pelo estado em meados da década, apontando atrasos sistêmicos na folha de pagamento do funcionalismo. “Pedro Taques, um dos piores governadores, foi ou não foi? Deixou de pagar servidores, deixou um caos na saúde, deixou mais de 11 mil fornecedores sem receber”, alfinetou, citando dados da contabilidade pública.
O terceiro personagem da lista de Mendes foi o atual ministro e senador Carlos Fávaro (PSD), que busca a reeleição. Nesse ponto, o ex-governador transferiu o foco das falhas de gestão para a incoerência político-ideológica, tentando desidratar Fávaro perante o eleitorado conservador e ligado ao agronegócio em Mato Grosso.
Mendes relembrou que o hoje ministro chegou ao Congresso Nacional surfando na onda da direita mato-grossense antes de migrar para a base de sustentação do presidente Lula. “Ele foi eleito no campo que eu estou, então não fui eu que rompi com ele. Foi eleito pedindo voto para Bolsonaro, falando de Bolsonaro, e depois de eleito foi lá e mudou para o campo do PT”, fustigou o candidato do União Brasil, arrematando que se orgulha de não estar ao lado dessas lideranças.
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