A região norte de Mato Grosso consolidou-se como um dos principais motores do desenvolvimento econômico do estado, impulsionada por um processo acelerado de industrialização. Um levantamento técnico do Observatório de Mato Grosso aponta que o Produto Interno Bruto (PIB) regional alcançou a marca de R$ 32,5 bilhões, registrando um crescimento expressivo de 247% no acumulado dos últimos dez anos.
Atualmente, a região abriga uma população de 530 mil habitantes e responde por 131 mil empregos formais, dos quais 26,4 mil estão alocados diretamente no setor industrial. A força do segmento reflete-se na massa salarial local, onde a indústria detém 20% de toda a remuneração paga aos trabalhadores da região. No mapa produtivo, o norte do estado destaca-se estrategicamente ao concentrar 51% da produção mato-grossense de arroz e 33% da extração de madeira nativa em tora.
Dentro desse ecossistema econômico, o município de Sinop desponta como a principal liderança e polo logístico. A cidade concentra isoladamente 44% da população da região, 36% do PIB e 46% dos empregos formais gerais. No segmento fabril, a hegemonia é ainda maior: Sinop reúne 13,8 mil trabalhadores industriais, o equivalente a 53% de toda a mão de obra do setor na região norte.
Esse potencial logístico e os caminhos para expandir a agregação de valor às matérias-primas locais foram os temas centrais do Fórum da Indústria MT 2026, realizado no final da semana passada no auditório do Sesi, em Sinop. Organizado pelo Sistema Fiemt, em parceria com o Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), o encontro reuniu empresários, lideranças do agronegócio e autoridades políticas.
Durante a abertura do seminário, o presidente do Sistema Fiemt, Silvio Rangel, defendeu que o grande salto econômico de Mato Grosso depende da transformação interna da produção. “Mato Grosso já é uma potência na produção de matérias-primas. O nosso próximo grande salto é transformar cada vez mais essa produção aqui, dentro do nosso estado. É agregar valor, ampliar nossas cadeias produtivas, atrair investimentos e gerar mais oportunidades para a população”, ponderou.
O evento abriu espaço para debates sobre infraestrutura e fomento à inovação. A gerente regional do Centro-Oeste da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Julieta Palmeira, apresentou linhas de crédito e recursos não reembolsáveis disponíveis para o financiamento de novos projetos tecnológicos em empresas e cooperativas da região.
Em complemento, a concessionária Energisa detalhou o cronograma de investimentos e expansão do sistema elétrico local para suportar a instalação de novas plantas industriais.
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