O novo Mercado Municipal Miguel Sutil entra na reta final de obras com mais de R$ 110 milhões já investidos e a perspectiva de impulsionar uma nova dinâmica econômica no centro de Cuiabá. Em entrevista ao MT Econômico, o gerente-geral da CS Mobi Cuiabá, Alan Guilherme Guedes, detalhou a dimensão do empreendimento, que deve reunir cerca de 100 espaços comerciais, gerar centenas de postos de trabalho e receber, segundo estudos realizados para o projeto, uma média de 3 mil pessoas por dia.
A previsão da concessionária é inaugurar o novo mercado entre o fim de outubro e meados de novembro de 2026, antecipando a obrigação contratual, estabelecida para maio de 2027. O empreendimento faz parte de um projeto mais amplo de requalificação urbana que envolve também revitalização de vias, calçadas e calçadões, implantação de mobiliário urbano e operação do estacionamento rotativo.
“Nossa obrigação contratual para entregar o Mercado Municipal é em maio de 2027, e a gente pretende inaugurar em 2026, no final de outubro ou, no mais tardar, em meados de novembro”, afirmou Alan Guedes ao MT Econômico.
Considerando os diferentes investimentos previstos pela CS Mobi Cuiabá, incluindo o Mercado Municipal e outras intervenções vinculadas à concessão, o montante deve chegar a aproximadamente R$ 150 milhões, sem considerar os custos operacionais.
O impacto econômico já começou durante a construção. No pico das obras, mais de 370 trabalhadores atuaram simultaneamente no empreendimento, inclusive em jornadas diurnas e noturnas para acelerar o cronograma. Agora, com a aproximação da abertura, uma nova etapa de geração de empregos começa a ganhar força.
A CS Mobi Cuiabá está com mais de 40 vagas abertas para equipes de limpeza, segurança, manutenção e operação do mercado. A esse número serão somados os trabalhadores contratados pelos estabelecimentos comerciais.
A estimativa apresentada por Alan Guedes considera aproximadamente 100 espaços comerciais. Com uma média de cinco trabalhadores por operação, o empreendimento poderá movimentar em torno de 500 empregos somente entre lojas, restaurantes, boxes e demais negócios.
“Se a gente colocar uma média linear de cinco pessoas trabalhando por loja, são mais de 500 pessoas gerando emprego ali, independentemente de toda a parte de operação que vai acontecer”, ressaltou ao MT Econômico.
Espaço para pequenos negócios
Uma das propostas do novo mercado é abrir espaço para comerciantes locais, microempreendedores e empresas de diferentes portes, respeitando uma curadoria voltada à preservação da característica tradicional do Mercado Municipal.
No térreo, considerado o “coração” do empreendimento, serão 23 boxes e 27 lojas, com previsão de empórios, frutas, verduras, grãos, oleaginosas, ervas, especiarias e outros produtos tradicionalmente associados aos mercados públicos. Serviços complementares, como cosméticos, barbearia e costura, também devem integrar o mix.
No primeiro pavimento ficará a praça de alimentação, interligada ao térreo e instalada em ambiente totalmente climatizado, com espaço para restaurantes, operações de alimentação rápida e quiosques.
Alguns contratos já foram firmados e lojistas começaram as obras de adequação interna de seus espaços. Empreendedores interessados ainda podem procurar a CS Mobi Cuiabá pelos canais digitais e de atendimento.
“Quanto mais empreendedores locais, mais oportunidades dentro desses mixes pré-estabelecidos para o Mercado Municipal, melhor. A proposta é levar o conforto de um shopping, mas sem perder a característica e a essência de um mercado municipal”, falou Alan Guedes ao MT Econômico.
A estratégia busca unir a identidade popular e cultural do mercado com padrões de conforto, segurança, limpeza e manutenção normalmente encontrados em centros comerciais.
Sete pavimentos e rooftop panorâmico
O complexo possui sete pavimentos, sendo três destinados exclusivamente ao estacionamento, estrutura considerada importante para facilitar o acesso dos consumidores à região central.
No sétimo pavimento será implantado um rooftop gastronômico panorâmico, com restaurantes e possibilidade de música ao vivo. Do espaço será possível contemplar pontos conhecidos da capital, como a Igreja de Nossa Senhora do Bom Despacho, a Catedral Metropolitana, o Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora e o Morro de Santo Antônio.
“É uma proposta que Cuiabá não tem hoje. A pessoa poderá levar a família para jantar, ter um ambiente agradável e contemplar os principais cartões-postais da cidade”, destacou ao MT Econômico.
O sexto pavimento será destinado à locação comercial e poderá receber academia, centro de eventos, coworking, clínicas e outros serviços. Parte dos espaços já possui negociações comerciais, enquanto outras possibilidades seguem em avaliação.
A intenção é manter circulação de público ao longo do dia e estimular uma relação integrada entre serviços, comércio e gastronomia. Quem utilizar uma academia, clínica ou espaço profissional poderá também consumir no mercado, almoçar na praça de alimentação ou comprar produtos para levar para casa.
90 mil visitantes por mês
Estudos elaborados para o novo Mercado Municipal projetam uma circulação média de 3 mil visitantes por dia, equivalente a aproximadamente 90 mil pessoas por mês. Nos fins de semana, a movimentação poderá superar essa média.
Além do público atraído pelo comércio e pela gastronomia, a CS Mobi Cuiabá planeja um calendário permanente de atividades para estimular a visitação, com ações em datas comemorativas e programação cultural.
“O empreendimento vai trazer o conforto de um shopping, com manutenção, segurança, limpeza, ambiente climatizado e vagas privativas, mas sem perder a característica e a essência do Mercado Municipal. A proposta é que ele se torne também um novo ponto turístico, um referencial gastronômico e cultural”, afirmou Guedes em entrevista.
Sustentabilidade integrada ao projeto
Outro eixo do empreendimento é a sustentabilidade. Durante a construção, os resíduos foram encaminhados para empresas responsáveis pelo processamento e reaproveitamento de materiais.
Na operação, um dos destaques será a fachada verde, composta por mais de mil mudas e abastecida por um sistema automático de irrigação com água da chuva. O prédio contará com reservatório para captação das águas pluviais, que também poderão ser utilizadas em serviços de limpeza.
O sistema foi projetado ainda para reter temporariamente parte do volume de chuva e liberar essa água gradualmente para a drenagem pública, ajudando a reduzir a sobrecarga na rede em períodos de maior intensidade.
“Toda a irrigação prevista para essa fachada verde será feita através da reutilização da água da chuva. A água captada também poderá ser utilizada em serviços de limpeza dentro do empreendimento”, explicou ao MT Econômico.
Resultados serão acompanhados
O desempenho do empreendimento será acompanhado por indicadores previstos no contrato de concessão. Dados relacionados ao fluxo de visitantes, ocupação dos espaços, receitas e desempenho da operação deverão integrar relatórios encaminhados ao município, ao verificador independente e à agência reguladora.
Pesquisas periódicas também deverão avaliar a percepção dos usuários sobre a qualidade dos serviços.
A expectativa da CS Mobi Cuiabá é criar um equipamento capaz de funcionar como indutor da revitalização do centro. Ao reunir investimentos superiores a R$ 110 milhões, centenas de oportunidades de trabalho, cerca de 100 espaços comerciais e uma projeção de 90 mil visitantes por mês, o novo Mercado Municipal Miguel Sutil se apresenta como um dos principais projetos recentes voltados à movimentação econômica da região central de Cuiabá.
Veja abaixo imagens do empreendimento (fotos assessoria)