A produção mato-grossense de cana-de-açúcar na safra 2026/27 poderá atingir 19,50 milhões de toneladas (t), volume que se confirmado, será 5,5% maior que o ciclo anterior, encerrado em 18,48 milhões t. Caso a projeção do 2º Levantamento da cultura, divulgado ontem (20), pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), se confirme, a oferta estadual terá avanço anual acima da média nacional, que é esperado em 4,7%.
Ainda segundo a Conab, com um saldo desse, Mato Grosso ocupa o 6º lugar entre os maiores produtores do Brasil, atrás de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Goiás e Mato Grosso do Sul.
Em relação aos subprodutos da cana, como açúcar e etanol, a Companhia aponta queda de 13,5% e aumento de 2,5%, respectivamente. Em números absolutos, será 564,9 mil t de açúcar e mais de 1,20 bilhão de litros de etanol, sendo 430 milhões de anidro e 774 milhões de litros de hidratado.
Ao projetar a oferta de etanol a partir do milho, o protagonismo de Mato Grosso ganha destaque: é a maior do Brasil, respondendo por quase 60% de toda a produção de etanol de milho do país, que nessa nova safra deve registrar volume total de 11,90 bilhões de litros.
O estado que já lidera a oferta desse biocombustível no Brasil, tem projeção de ampliar o volume em 15,2% na nova temporada, adicionando quase 1 bilhão de litros. Com esse panorama, a oferta mato-grossense de etanol de milho passará de 6,24 bilhões de litros para 7,20 bilhões l.
Ao projetar a oferta global do biocombustível pelo estado – etanol de cana e de milho – a projeção atinge 8,40 bilhões de litros, incremento anual de 13,7%.
BRASIL – A oferta brasileira de cana-de-açúcar na safra 2026/27 está estimada em 705,2 milhões t. O volume, se confirmado, representa um crescimento de 4,7% em relação ao ciclo 2025/26. O resultado decorre de uma elevação de 1,1% na área destinada para a colheita da cana, atualmente previsto em 9,1 milhões de hectares, e de uma melhora de 3,6% na produtividade média nacional, projetada em 77.905 quilos por hectare, diante das condições climáticas registradas que vêm beneficiando as lavouras desde o início do ciclo.
O Sudeste deve registrar uma produção de 451,4 milhões t. A principal região produtora de cana-de-açúcar no país apresenta um leve incremento de 0,4% na área destinada à colheita do produto, estimada em 5,6 milhões de hectares, e produtividade média de 80.872 kg/ha, 4,6% acima do que foi registrado na safra passada diante das condições climáticas melhores do que as observadas na última temporada. Apenas os produtores paulistas serão responsáveis por uma colheita de 362,8 milhões t.
Para a segunda maior região produtora de cana no país, o Centro-Oeste, a Conab espera para a safra 2026/27 tanto um incremento na área, com previsão de 2 milhões de hectares, como na produtividade média, podendo chegar a 78.755 quilos por hectare. Diante deste cenário, a produção é estimada em 157 milhões t, 4,6% acima do volume obtido na safra anterior. Aumento de área e produtividade também na região Sul, onde a colheita projetada é de 37,3 milhões t de cana. Cenário semelhante é encontrado no Norte do país, onde a estimativa é de uma produção de 4,1 milhões t do produto.
Já no Nordeste, deverão ser colhidas 55,5 milhões t de cana-de-açúcar, o que indica uma alta de 4,1%. Esse aumento é influenciado principalmente pela maior área a ser colhida, estimada em 923,5 mil hectares, uma vez que a produtividade média das lavouras na região deve registrar um leve aumento de 0,3% em relação ao ciclo anterior, projetada em 60.037 quilos por hectares.
SUBPRODUTOS – A Conab espera um menor volume produzido para o açúcar e um aumento na fabricação de etanol a partir da cana-de-açúcar. De acordo com o levantamento, devem ser produzidas 42,89 milhões t do adoçante na safra 2026/27, redução de 2,9% em relação à 2025/26. Já o etanol derivado da cana deve registrar aumento de 9,7% na atual safra, podendo chegar a 29,98 bilhões de litros.
Alta também para o combustível fabricado a partir do milho. A estimativa da Conab é que sejam produzidos 11,91 bilhões de litros para o combustível derivado do cereal, elevação de 17% para esta safra quando comparada com a temporada anterior. Com isso, a produção total de etanol no país deve chegar a 41,88 bilhões de litros, incremento de 11,7% em relação ao último ciclo.
MERCADO – Os preços do açúcar no mercado internacional seguem em trajetória de alta em agosto, dando continuidade à recuperação iniciada no final de julho. A recuperação das cotações tem sido sustentada, entre outros fatores, pelas expectativas de maior restrição da oferta global, em um cenário marcado por riscos climáticos nas principais regiões produtoras e pela possibilidade de redução da parcela da cana-de-açúcar destinada à produção de açúcar, especialmente no Brasil.
O cenário de mercado para o etanol também permanece favorável. No mercado doméstico, a demanda pelo produto, em especial o anidro, tende a ser favorecida pela elevação do percentual obrigatório de mistura do biocombustível à gasolina, que passou de 30% (E30) para 32% (E32) no final de julho. Esse aumento pode ampliar a demanda pelo biocombustível e, consequentemente, reforçar os incentivos para o direcionamento da matéria-prima à produção de etanol.
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