O término do vazio sanitário, no último dia 6 de setembro, autorizou oficialmente o início da semeadura da safra 2026/27 de soja em Mato Grosso. No entanto, um levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) aponta que o avanço efetivo das máquinas no campo ainda caminha em ritmo lento e gradual, condicionado diretamente à regularização das precipitações e à recuperação dos níveis de umidade do solo. O cenário contrasta com o ritmo acelerado observado no Paraná, evidenciando o início mais cadenciado das atividades no Centro-Oeste e na região do Matopiba.
Para os próximos dez dias, as previsões do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indicam acumulados de chuva variando entre 30 e 50 mm em grande parte do território mato-grossense. Embora o volume possa favorecer a largada dos trabalhos de forma pontual, a projeção de uma redução subsequente nas precipitações acende o alerta para o risco de prejuízos nas áreas recém-semeadas.
A preocupação dos agricultores é amplificada pela consolidação de um fenômeno El Niño de forte intensidade, com o Índice Oceânico do Niño (ONI) estimado acima de 2,0 entre setembro e novembro, o que exige monitoramento diário da distribuição de chuvas nesta primavera.
USDA ELEVA SAFRA DOS EUA – O mais recente relatório de estimativas globais do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) trouxe atualizações importantes para o balanço de oferta e demanda da oleaginosa no ciclo 2026/27. A agência norte-americana optou por manter, sem alterações, a projeção da safra brasileira de soja em 186 milhões de toneladas. Analistas do Imea ponderam, contudo, que esse teto produtivo passará por revisões severas ao longo dos próximos meses, a depender de como o clima instável afetará de formas distintas o Sul e o Centro-Norte do país.
Do lado norte-americano, os números foram reajustados para cima. O USDA elevou a estimativa da produção dos Estados Unidos em 430 mil toneladas, consolidando uma colheita projetada de 123,42 milhões de toneladas para o período 2026/27. Embora o rendimento médio por hectare nos EUA venha registrando marcas ligeiramente abaixo das expectativas iniciais de Wall Street, os volumes gerais de mercado permanecem elevados. O relatório conclui apontando o fortalecimento da demanda internacional, com o esmagamento global de grãos ajustado positivamente para 385,22 milhões de toneladas, dando sustentação aos preços da commodity.
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