O desenvolvimento econômico de Mato Grosso ganhou um palco de destaque nesta quinta-feira (03) com a realização do evento “Diálogo com Candidatos ao Governo de Mato Grosso”, promovido pela Aliança do Setor Produtivo do Estado.
Reunindo as principais lideranças dos setores produtivos, Famato (agropecuária), Fecomércio (comércio e serviços) e Fiemt (indústria), o encontro estabeleceu um canal direto de conversa entre os postulantes ao Palácio Paiaguás e os setores que formam a espinha dorsal da economia estadual.
O MT Econômico traz nessa matéria especial um resumo das principais propostas apresentadas pelos candidatos Otaviano Pivetta (Republicanos), Wellington Fagundes (PL) e Dra. Natasha Slhessarenko (PSD), além das diretrizes defendidas pelas federações empresariais na abertura do evento.
Abertura: União e diálogo como pilares do crescimento
A abertura foi marcada pelo tom de união institucional. O presidente da Famato, Vilmondes Tomain, destacou que o desenvolvimento de Mato Grosso se constrói com diálogo, união e participação democrática. Ele ressaltou que o setor produtivo não espera que o governo substitua a iniciativa privada, mas que atue como um indutor de oportunidades, garantindo infraestrutura, ambiente de negócios favorável e segurança jurídica.
Na sequência, o presidente da Fecomércio, Sebastião dos Reis Gonçalves (Tião da Zaeli), abordou a necessidade de modernização das relações de trabalho, mencionando a discussão nacional sobre a escala 6×1 e alertando para os impactos negativos que mudanças precipitadas podem gerar ao comércio e aos serviços.
O presidente da Fiemt, Silvio Rangel, reforçou a urgência de avançar em frentes como energia, segurança, qualificação profissional e inovação. Ele apresentou o documento “Prioridades do Setor Produtivo de Mato Grosso”, construído a partir de debates regionais e estruturado em oito eixos estratégicos, incluindo infraestrutura, ambiente de negócios, economia verde e tecnologia. Rangel frisou que o estado precisa agregar valor à sua produção, transformando o potencial agrícola e mineral em riqueza industrializada dentro de suas fronteiras.
Otaviano Pivetta (Republicanos): Eficiência do Estado e segurança pública
O candidato Otaviano Pivetta iniciou sua fala traçando um paralelo entre sua experiência como gestor municipal e os desafios de governar o estado. Defensor de um Estado menor e mais eficiente, Pivetta afirmou que não criará novas secretarias, propondo utilizar a atual Secretaria de Desenvolvimento para abrigar as demandas do agronegócio, ouvindo o setor para nomear os responsáveis.
Em relação à reforma tributária, o candidato defendeu a atração de investimentos por meio de incentivos fiscais inteligentes e da desburocratização. No eixo de segurança pública, apresentou números de sua gestão, como a instalação de mais de 23 mil câmeras no estado e a formação de 930 cadetes para reforçar o policiamento no interior, propondo expandir o programa “Vigia Mais” para alcançar 100 mil câmeras até 2030.
Pivetta também enfatizou a infraestrutura rodoviária, prometendo construir 4 mil quilômetros de novas rodovias e manter outros 5 mil, além de defender a continuidade da duplicação da BR-163. Na industrialização, destacou a necessidade de transformar o estado em um polo de biocombustíveis, biodiesel e energia solar, com foco em captar recursos internacionais para o mercado de carbono.
Wellington Fagundes (PL): Desburocratização e integração logística
Wellington Fagundes abriu sua participação ressaltando a importância do crédito rural e os desafios de financiamento enfrentados pelo produtor rural. Ele criticou a centralização dos recursos financeiros e defendeu a criação de mecanismos estaduais para facilitar o acesso ao crédito, especialmente para pequenos e médios produtores.
O candidato fez coro à necessidade de reduzir a burocracia, afirmando que o Brasil criou um “ministério da desburocratização” que, paradoxalmente, aumentou as amarras. Prometeu um “governo de mutirões”, com portas abertas para o setor produtivo, e defendeu a criação de um banco de desenvolvimento para a região Centro-Oeste.
No campo da logística e infraestrutura, Wellington apontou a deficiência de armazenagem como um gargalo crítico, que força o escoamento da safra em picos e derruba os preços. Defendeu a interligação das ferrovias (FICO e Ferrogrão) e a conclusão de obras estruturantes, além de ressaltar a importância de abrir as fronteiras comerciais com os países vizinhos para acesso ao Pacífico.
Na industrialização, destacou o potencial de Mato Grosso em cadeias como o milho (para produção de etanol de milho), algodão e cadeias têxteis. Defendeu a atração de indústrias de energia limpa e a agregação de valor à produção local, com foco em sustentabilidade e qualidade para garantir acesso a mercados internacionais.
Dra. Natasha Slhessarenko (PSD): Transparência, previsibilidade e qualificação profissional
A candidata Dra. Natasha iniciou sua fala com um relato pessoal sobre sua trajetória como médica e empresária, destacando a importância de cuidar das pessoas e de transformar o conhecimento técnico em políticas públicas eficazes. Ela se apresentou como uma candidata da “legalidade, da transparência e do diálogo”.
Dra. Natasha foi enfática ao afirmar que não roubará e não deixará roubar, prometendo lutar para que recursos desviados retornem aos cofres públicos. Em resposta direta à reforma tributária, alertou que o ICMS passará a ser cobrado no estado consumidor, o que pode gerar perdas bilionárias para Mato Grosso. Por isso, defendeu que o estado se torne também um grande polo consumidor, o que exige investimento maciço em industrialização e manufatura.
A candidata propôs a criação de uma Secretaria de Agricultura dedicada, com participação ativa do setor produtivo na escolha dos gestores. Defendeu um mutirão de regularização fundiária e a modernização da Secretaria de Meio Ambiente (SEMA) para dar respostas rápidas e padronizadas aos produtores.
No eixo de qualificação profissional, Natasha apontou a grave defasagem educacional do estado, onde cerca de 70% dos jovens concluem o ensino médio sem saber interpretar um texto ou fazer uma regra de três. Propôs alinhar a formação profissional às vocações de cada município, integrando universidades, IFs e o Sistema S para formar mão de obra qualificada para indústria, comércio e turismo.
O futuro econômico em debate
O evento promovido pela Aliança do Setor Produtivo evidenciou que, apesar das diferentes abordagens políticas, há um consenso entre os candidatos sobre os principais vetores de crescimento de Mato Grosso: industrialização, desburocratização, infraestrutura, segurança jurídica e qualificação profissional.
A união inédita entre Famato, Fecomércio e Fiemt sinaliza que o setor produtivo não aceitará mais políticas públicas desarticuladas. O desafio para o próximo governador será transformar o imenso potencial de Mato Grosso, hoje potência agrícola, em um ecossistema econômico diversificado, com valor agregado, inovação e justiça social. O diálogo iniciado neste encontro promete ser o primeiro passo de uma cobrança permanente por resultados.
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