CNT mapeia R$ 125,4 bilhões em projetos de integração logística para Mato Grosso


A Confederação Nacional do Transporte (CNT) mapeou, em Mato Grosso, uma carteira com 103 projetos estratégicos para ampliar e modernizar a infraestrutura de transporte no estado. Reunidos no Plano CNT de Transporte e Logística 2026, os projetos somam R$ 125,4 bilhões em investimentos estimados. Desse total, 97 são Projetos de Integração Nacional e seis são Projetos Urbanos, distribuídos entre rodovias, ferrovias, hidrovias, aeroportos, terminais logísticos e mobilidade urbana. As propostas refletem a importância do estado para o escoamento da produção agropecuária brasileira e buscam fortalecer a integração entre os diferentes modos de transporte.

O principal destaque da carteira é a infraestrutura ferroviária e hidroviária, que concentra a maior parte dos investimentos estimados. O Plano reúne propostas para a adequação de 6.020 quilômetros de hidrovias, com investimento estimado em R$ 33,4 bilhões, além da implantação de seis dispositivos de transposição, que somam outros R$ 9,7 bilhões. Na infraestrutura ferroviária, estão previstos 2.239,7 quilômetros de novos trechos ferroviários, com investimento estimado em R$ 44,3 bilhões, reforçando a estratégia de aumentar a participação das modalidades de maior capacidade no transporte de cargas e reduzir a dependência do transporte rodoviário.

A carteira também contempla um conjunto expressivo de projetos rodoviários, fundamentais para a conexão entre as áreas produtoras e os corredores logísticos. As propostas incluem a pavimentação de 2.258,8 quilômetros de rodovias, recuperação do pavimento em 2.595,4 quilômetros, adequação de outros 825,7 quilômetros, construção de 634,4 quilômetros de novos trechos e duplicação de 460,7 quilômetros. Na mobilidade urbana, estão previstas intervenções para implantação de 71,9 quilômetros de sistemas de priorização para o transporte coletivo.

O Plano também prevê investimentos para ampliar a infraestrutura de apoio à logística estadual. As propostas incluem a construção de 20 terminais logísticos, a modernização de oito aeroportos, a construção de quatro novos aeroportos e a implantação de 12 quilômetros de corredor de transporte aquaviário urbano, ampliando a conectividade regional e a capacidade de movimentação de cargas e passageiros.

Os dados do levantamento reforçam a importância estratégica de Mato Grosso para a economia nacional. O estado possui PIB de R$ 273,0 bilhões, população de 3,7 milhões de habitantes, 11.530,6 quilômetros de rodovias pavimentadas e outros 50.934,4 quilômetros de vias não pavimentadas. A infraestrutura existente conta ainda com três estações ferroviárias, que movimentaram 31,2 milhões de toneladas de cargas em 2025, sete aeroportos, responsáveis pelo transporte de 3,1 milhões de passageiros e pela movimentação de 12,6 mil toneladas de cargas, além de uma frota de aproximadamente 3 milhões de veículos.

Ao reunir propostas voltadas à expansão da malha ferroviária, ao fortalecimento das hidrovias, à ampliação e adequação da infraestrutura rodoviária e ao desenvolvimento dos terminais logísticos, o Plano CNT apresenta um portfólio de intervenções destinado a subsidiar o planejamento de longo prazo da infraestrutura de transporte em Mato Grosso e enfrentar gargalos que afetam o escoamento da produção agropecuária e a competitividade das exportações brasileiras.

PLANO CNT DE TRANSPORTE E LOGÍSTICA 2026 – O Plano CNT de Transporte e Logística 2026 reúne 2.837 projetos distribuídos por todas as modalidades de transporte, com estimativa de R$ 2,03 trilhões em investimentos capazes de impulsionar a competitividade, reduzir custos e ampliar a capacidade de movimentação de pessoas e cargas. Mais do que um diagnóstico, o Plano funciona como um instrumento de planejamento para orientar decisões do poder público e da iniciativa privada.

A carteira contempla projetos em diferentes estágios de maturidade, desde propostas e estudos até obras em execução, e foi construída a partir da atualização de iniciativas já mapeadas pela CNT, de demandas do setor transportador e de programas estruturantes dos governos federal e estaduais, oferecendo um panorama abrangente das necessidades para o desenvolvimento da infraestrutura nacional.

Ao comentar a importância da regionalização dos investimentos, a diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, destaca que a competitividade do país é construída também pela capacidade de cada estado superar seus próprios gargalos logísticos e fortalecer sua integração com os demais mercados.

“O Plano CNT mostra que o desenvolvimento da infraestrutura de transporte precisa ser pensado de forma estratégica e de longo prazo, considerando as necessidades e as potencialidades de cada região e, ao mesmo tempo, integrando esta realidade local a perspectiva nacional. Desta forma, conseguimos identificar as oportunidades de investimento – público e privado – e contribuir para subsidiar decisões que podem aumentar a eficiência logística, reduzir custos e fortalecer a competitividade do país”.

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