Debate expõe forte polarização entre candidatos ao Senado e foca em críticas aos faltosos


O primeiro debate na televisão aberta com os candidatos ao Senado por Mato Grosso nestas eleições foi realizado na manhã desta quinta-feira (17), nos estúdios da TV Vila Real, canal 10.1, em Cuiabá. O evento foi mediado pelo jornalista Antônio Carlos Silva e estruturado para garantir a dinâmica do rodízio de perguntas entre os participantes.

Dos dez candidatos que disputam o pleito, a organização convidou sete nomes com base no critério de representatividade partidária mínima exigida por lei no Congresso Nacional. Marcaram presença nos estúdios os candidatos José Medeiros (PL), Pedro Taques (PSB), Margareth Buzetti (PP), Antônio Galvan (Avante) e Carlos Fávaro (PSD). Por outro lado, as ausências mais ruidosas e comentadas do dia ficaram por conta do ex-governador Mauro Mendes (União) e da deputada estadual Janaina Riva (MDB), que optaram por não comparecer ao estúdio televisivo e acabaram se tornando o alvo preferencial de críticas e cobranças por parte de todos os concorrentes presentes.

O debate começou com o formato de perguntas livres com réplica e tréplica, e os candidatos flutuaram rapidamente entre o jogo combinado com aliados e os ataques diretos. Carlos Fávaro (PSD) abriu a rodada questionando Pedro Taques (PSB) sobre a montagem de coligações, citando nominalmente a ausência de Janaina Riva e a polêmica substituição de seus suplentes por empresários investigados. Taques aproveitou a deixa para defender que o Senado não receba parlamentares “ficha suja” e usou o gancho para desferir ataques contra José Medeiros (PL) por episódios antigos de falsificação de atas.

Na sequência, o alinhamento ideológico tomou conta do palco quando Medeiros acionou Antônio Galvan (Avante), chamando-o ao vivo de “Véio da Lancha”. Ao ser questionado sobre a política internacional do governo Luiz Inácio Lula da Silva, Galvan subiu o tom da retórica de direita: defendeu o ex-presidente americano Donald Trump e disparou a declaração mais polêmica do bloco, acusando a esquerda global de ter “fabricado a pandemia da Covid-19” para controlar a população e desmoralizar líderes conservadores.

O bloco ainda registrou um embate de visões entre as pautas de proteção à mulher. Margareth Buzetti (PP) confrontou Taques e Medeiros sobre políticas públicas contra o feminicídio, aproveitando para destacar a criação da Lei do Vicaricídio.

Na reta final do primeiro período, Taques tentou encurralar Buzetti ao questioná-la sobre sua atuação na CPI do Crime Organizado no passado, acusando-a de blindar o governo de Mauro Mendes. A progressista rebateu com firmeza, afirmando que seguiu as prerrogativas institucionais da gestão e exigiu que Taques não a utilizasse como escudo para atacar o ex-governador ausente.

CERCO AO STF E PEDIDO DE PRISÃO DE MINISTRO – Com o início do segundo bloco, as regras de rodízio impediram os candidatos de repetirem os alvos do bloco anterior, e o TRE-MT negou um pedido de direito de resposta protocolado por José Medeiros. O parlamentar do PL abriu a nova fase confrontando Pedro Taques sobre a “capivara gigante” — em referência aos antecedentes criminais — dos novos suplentes milionários de Janaina Riva e cobrou uma postura dura sobre o ativismo judicial em Brasília. Taques concordou com a crítica e propôs a fixação de um tempo limite para a atuação de ministros no Supremo Tribunal Federal (STF).

O ápice do bloco ocorreu quando Medeiros colocou o senador Carlos Fávaro contra a parede, questionando-o diretamente se ele teria a coragem de assinar e pedir o impeachment e a prisão do ministro Alexandre de Moraes. Pressionado diante das câmeras, Fávaro surpreendeu os telespectadores ao responder positivamente, afirmando que o magistrado “já devia ter sido afastado” por extrapolar os limites constitucionais, classificando a atual crise institucional entre os poderes como uma situação lamentável para o país.

FÁVARO ENCURRALADO PELOS ADVERSÁRIOS – O tema do impeachment de ministros do STF convergiu para uma ação coordenada nos bastidores do debate. Os candidatos José Medeiros Buzetti e Galvan alinharam suas estratégias para emparedar o senador Fávaro, cobrando de forma incisiva a ausência de sua assinatura no pedido de afastamento do ministro Alexandre de Moraes.

A ofensiva conjunta funcionou como um jogo de passes combinados entre a ala conservadora. Margareth Buzetti abriu o confronto lembrando que seu nome consta no documento de cassação desde agosto do ano passado, questionando Fávaro diretamente sobre sua falta de posicionamento formal.

Na sequência, Antônio Galvan subiu o tom ideológico, acusando o parlamentar do PSD de descumprir acordos com a base do ex-presidente Jair Bolsonaro para migrar rumo à articulação governista federal liderada por Luiz Inácio Lula da Silva.

Para fechar o cerco de cobranças, Galvan acionou José Medeiros em um diálogo aberto no palco. O congressista do PL ironizou a postura defensiva de Fávaro, apontando que o senador teve cinco anos de mandato para manifestar apoio ao procedimento e optou por recuar para blindar o Palácio do Planalto. Medeiros ainda carimbou o rival com o termo “melancia”, devolvendo uma provocação desferida minutos antes pelo próprio Fávaro contra o seu primeiro suplente, Odílio Balbinotti Filho.

Encurralado pela articulação, Carlos Fávaro tentou desviar do foco das assinaturas dividindo a responsabilidade política com a cúpula do Congresso. Ao justificar o travamento das pautas de fiscalização do Judiciário, o candidato do PSD terceirizou a culpa pelo andamento das medidas e atribuiu os entraves diretamente às decisões institucionais de Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado Federal e responsável por pautar a abertura de eventuais denúncias.

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