Os prefeitos de Mato Grosso devem adotar, ainda este ano, medidas imediatas para fortalecer a arrecadação própria municipal e preparar suas administrações para as regras do novo sistema tributário nacional. A mudança profunda no modelo de distribuição de recursos fiscais pode impactar diretamente as finanças locais ao longo das próximas décadas. Por isso, especialistas apontam que ações estruturantes imediatas são essenciais para blindar o caixa das prefeituras contra perdas financeiras e reduzir os efeitos negativos da transição tributária no longo prazo. A mobilização atende a uma série de recomendações e orientações técnicas emitidas por meio de um documento oficial da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM).
Entre as medidas recomendadas está a realização de um diagnóstico da arrecadação própria e o aprimoramento do cruzamento de dados, com o objetivo de identificar possíveis falhas, como cadastros desatualizados, informações incompletas, atividades econômicas não registradas e situações que possam representar perda de receitas.
A instituição ressalta que municípios com informações confiáveis, cadastros atualizados e uma fiscalização mais eficiente estarão mais preparados para a nova lógica de distribuição de recursos, especialmente em relação ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que está em fase de implantação.
O presidente da AMM, Hemerson Maninho, destaca que a associação tem trabalhado na preparação dos gestores e equipes para os novos desafios da administração pública. “Neste ano de 2026, a AMM tem intensificado as capacitações e orientações técnicas para auxiliar os municípios no aprimoramento da gestão tributária e financeira. Este é mais um momento em que o planejamento e a organização serão fundamentais para garantir melhores condições aos municípios no futuro com a implantação do novo imposto IBS”, afirmou.
Várias projeções apontam que Mato Grosso poderá estar entre os estados mais impactados pela mudança no sistema tributário nacional, que gradualmente migrará do princípio da origem ao princípio do destino, transferindo a distribuição do recurso para o local de consumo. Considerando que o principal fator de distribuição do IBS será população (80%) e que o estado possui uma população menor em relação a outras unidades da federação, os efeitos dessa nova lógica de distribuição sobre as receitas municipais serão negativos, uma vez que a tributação hoje é pela origem.
A associação reforça que o fortalecimento das receitas próprias representa uma medida de responsabilidade fiscal, proteção dos recursos públicos e planejamento de longo prazo, contribuindo para que os municípios estejam preparados para as mudanças que serão implementadas com o novo sistema tributário.
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