O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que disponibilizou 9.983.660 doses de vacinas contra clostridioses no mercado nacional durante o mês de agosto de 2026. Desse total, o governo federal recorreu massivamente ao mercado externo: 7.304.740 doses (73,16%) são importadas, enquanto apenas 2.678.920 doses (26,84%) são de fabricação nacional. O Mapa destacou que mantém atuação permanente junto à indústria de insumos veterinários para estimular a produção, viabilizar importações e agilizar a fiscalização aduaneira para tentar estabilizar o abastecimento nacional.
Embora o anúncio do governo federal traga um fôlego estatístico, o cenário prático no campo ainda é de extrema preocupação, especialmente em Mato Grosso. Como vem sendo acompanhado e reportado pelo MT Econômico, as principais entidades do setor produtivo do estado, como a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) e a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), alertam que o desabastecimento é um imbróglio grave que se arrasta desde abril deste ano.
A escassez começou no início do ano após indústrias nacionais interromperem linhas de fabricação e comercialização, criando um apagão de imunizantes estratégicos no momento mais crítico para a pecuária estadual: o período de desmama dos bezerros, o início do primeiro giro do confinamento e o pico da estiagem. Desde as primeiras notas oficiais emitidas pela Acrimat e os relatórios da Famato, os produtores rurais relatam que os produtos chegam às revendas agropecuárias em lotes muito reduzidos, incapazes de suprir a demanda reprimida acumulada ao longo dos meses.
O prolongamento dessa crise sanitária coloca sob forte ameaça a sanidade e a segurança do rebanho de Mato Grosso, que lidera com folga o ranking nacional detendo mais de 34 milhões de cabeças de gado. As clostridioses (que englobam doenças fatais como botulismo, tétano, carbúnculo sintomático e gangrena gasosa) são altamente letais e causam morte súbita nos animais. Sem o imunizante para cumprir o calendário sanitário obrigatório, o risco de surtos e de prejuízos financeiros diretos dentro das porteiras disparou.
Além do risco de mortalidade do gado, o bolso do produtor mato-grossense sofreu um impacto severo de mercado. Segundo levantamentos das comissões técnicas da Famato, a escassez prolongada fez com que o preço das doses remanescentes aumentasse drasticamente nas prateleiras comerciais. O setor produtivo segue cobrando uma atuação ainda mais célere do Mapa e do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT), defendendo que os anúncios de milhões de doses de fato cheguem de forma homogênea e com preços justos a todas as regiões do estado e que o acesso às doses não fique na dependência de imunizantes importados.
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